O ano de 1984 marcou um momento significativo para o basquete, quando o New Jersey Nets escolheu um ala brasileiro com 2,05m na sexta rodada do Draft, o evento anual onde as equipes recrutam novos talentos. Para qualquer jogador, ser convidado a jogar na “meca” do basquete global seria considerado o auge de sua carreira.
Entretanto, essa não foi a realidade para Oscar Schmidt. Ao invés de representar um ponto culminante, essa escolha deu início a uma resistência que perdurou por décadas. Enquanto outros jogadores renomados, como Dražen Petrović e Arvydas Sabonis, atravessavam o Atlântico em busca de oportunidades na NBA, Oscar, um dos maiores artilheiros da história do basquete com 49.737 pontos, optou por manter seu status de “amador” tanto na Europa quanto no Brasil.
O fator decisivo para essa escolha não foi uma questão financeira, mas sim institucional. Até 1989, as normas da Federação Internacional de Basquete (Fiba) proíbiam que atletas da NBA representassem suas seleções nacionais. Movido por um patriotismo quase religioso, como ele mesmo descrevia, Oscar não estava disposto a abrir mão da camisa verde-amarela.
“A seleção brasileira era a minha vida. Eu não trocaria o prazer de jogar pelo meu país por nenhum anel de campeão”, declarou o ícone em diversas entrevistas.
Legado em Indianápolis
A vitória histórica do Brasil sobre os Estados Unidos na final do Pan-Americano de 1987 em Indianápolis, onde Oscar fez 46 pontos e ajudou a garantir o triunfo por 120 a 115, fez com que os Nets aumentassem seu interesse. A proposta era atrativa: um contrato garantido. No entanto, Oscar temia que se tornar um “especialista em três pontos” na NBA pudesse restringir seu estilo de jogo, algo que ele sentia que não ocorreria ao jogar na Itália ou no Brasil.
Reconhecimento tardio
A consagração de Oscar Schmidt no Naismith Memorial Basketball Hall of Fame, situado em Springfield, aconteceu apenas em 2013. A ironia dessa honraria é que ele entrou para o seleto grupo sem jamais ter jogado oficialmente em uma quadra da liga americana.

