A autora mineira Cidinha da Silva realiza, nesta sexta-feira (21), no Rio de Janeiro, uma discussão sobre sua obra “Quando borboletas furiosas se tornam mulheres negras: Nós e os livros” (Relicário Edições). O encontro ocorrerá na Janela Livraria de Laranjeiras, localizada na General Glicério, 324, a partir das 19h, e contará com a participação da cientista Nina da Hora.
No seu livro, Cidinha da Silva apresenta reflexões sobre as dificuldades, armadilhas e resistências que permeiam a vivência de autoras negras no cenário editorial. Essas considerações são desenvolvidas por meio de 16 ensaios impactantes que se entrelaçam em três temas principais: o casulo, a lagarta e a borboleta. Esses elementos simbolizam, respectivamente, a limitação da liberdade criativa, a necessidade constante de justificativas para suas produções literárias e a fúria organizada que se traduz em luta política e estética.
Convite para o debate sobre “Quando borboletas furiosas se tornam mulheres negras: Nós e os livros”, com Cidinha da Silva e Nina da Hora
O primeiro tema, Casulo, representa um espaço onde se tenta restringir autoras negras ao papel de educadoras eternas, aproveitando-se dos privilégios resultantes da marginalização histórica das pessoas negras.
No segundo fio, intitulado Lagarta, são reveladas as armadilhas que obrigam escritoras negras a descrever e justificar suas criações literárias em vez de explorarem suas técnicas ou as fontes de inspiração que as guiam.
Por último, o terceiro fio é chamado Borboleta, representando uma revolta transformadora que busca desafiar os espaços reservados para autoras negras no mercado editorial. Isso ocorre em um contexto onde cotas afetadas pelo racismo selecionam apenas uma ou duas escritoras como figuras proeminentes, enquanto autoras brancas têm presença frequente em eventos literários anuais e outros ambientes.
Cidinha argumenta: “O lugar da fala, seja por meio da escrita ou verbalização, constitui uma arena pública essencial na construção de imaginários anteriores mesmo à disputa de narrativas. O livro não deve ser encarado como um refúgio íntimo imposto às mulheres que escrevem, como se fosse um diário adolescente. O livro serve como espaço para aquilo que se deseja compartilhar publicamente — isso pode incluir ou não aspectos íntimos.”
Livro “Quando borboletas furiosas se tornam mulheres negras: Nós e os livros”, de Cidinha da Silva
Através de convites desrespeitosos, políticas de representatividade restritivas e expectativas que limitam escritoras negras ao papel de eternas educadoras do público branco, “Borboletas furiosas” expõe as sutilezas e evidências do controle e silenciamento. Cidinha da Silva desafia tanto o mercado editorial quanto a sociedade literária brasileira ao rejeitar o espaço estreito historicamente reservado às mulheres negras. Para ela, o futuro não é uma mera promessa abstrata de inclusão; é representado pelas asas abertas das mulheres negras dispostas a escrever, criar e lutar.
Sobre a autora
Cidinha da Silva é uma escritora e ensaísta reconhecida. Entre suas publicações estão: “Um Exu em Nova York” (Pallas), premiado pela Biblioteca Nacional em 2019; “O mar de Manu” (Autêntica), vencedor do prêmio APCA em 2022; “Vamos falar de relações raciais? Crônicas para debater o antirracismo” (Autêntica), semifinalista do Prêmio Jabuti Acadêmico e finalista do Prêmio Jabuti em 2025; além de “Só bato em cachorro grande, do meu tamanho ou maior: 81 Lições do Método Sueli Carneiro” (Rosa dos Tempos/Record).
Cidinha já fez parte do júri de diversos prêmios literários importantes como Jabuti (crônicas), Prêmio São Paulo, Prêmio Cidade de Belo Horizonte (dramaturgia), Prêmio Sesc (contos e romance), Prêmio Kindle e Prêmio Barco a Vapor. Suas obras estão incluídas em políticas públicas voltadas à formação de acervo literário, como o PNLD. Além disso, seus textos foram traduzidos para idiomas como alemão, catalão, espanhol, francês, inglês e italiano.

