O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destacou que diversos clubes de futebol renomados do Brasil, como Santos, Flamengo e Corinthians, conquistaram títulos mundiais sem contar com o patrocínio das casas de apostas. Analisando os dados disponíveis, fica evidente que a influência financeira dessas empresas no futebol nacional é menor do que se poderia imaginar.
É importante ressaltar que o encerramento das operações das casas de apostas não comprometerá a sobrevivência dos times da Série A do Campeonato Brasileiro. Em média, apenas 7% das receitas provenientes de patrocínios dos clubes advêm desse setor.
Embora o futebol brasileiro tenha aumentado sua relação com as casas de apostas, os dados revelam que a dependência financeira dos clubes é bastante variável e não tão significativa quanto se supunha. Um levantamento mostrou que, mesmo com 13 dos 20 clubes da Série A tendo uma empresa de apostas como patrocinadora principal, nenhum desses contratos representa mais de 13% do orçamento anual de qualquer um deles.
A discussão sobre o tema se intensificou após a divulgação, na última quinta-feira, de um manifesto por parte dos clubes, que alertavam para um possível “fim do futebol brasileiro” diante da proposta do governo federal de implementar uma Medida Provisória para banir cassinos online. Essa mudança poderia impactar os rendimentos das casas de apostas e levar a uma revisão nos acordos de patrocínio esportivo.
Atualmente, as casas de apostas constituem uma das principais fontes de financiamento para o futebol nacional. Para 2026, as quantias totais pagas aos times da primeira divisão são estimadas em cerca de R$ 1,1 bilhão, um valor similar ao registrado na temporada anterior.
Apesar desse montante expressivo, os contratos com as casas de apostas correspondem a uma fração relativamente pequena das receitas totais dos clubes. O estudo revela que as equipes da Série A obtêm aproximadamente 7% de suas receitas através desses patrocínios.
Para calcular esses percentuais, foram consideradas as receitas brutas previstas nos orçamentos dos clubes para 2025 e os valores fixos estabelecidos nos contratos com as casas de apostas. Bônus e outras partes variáveis dos acordos não foram incluídos na análise.
Flamengo lidera em contrato com aposta
O Flamengo se destaca como o clube onde o patrocínio de uma casa de apostas representa a maior proporção do orçamento. A Betano investe R$ 268,5 milhões por temporada no clube carioca, configurando-se como o maior contrato publicitário na história do futebol brasileiro.
No entanto, esse valor corresponde a apenas 12,85% da receita bruta projetada do Flamengo para 2025. O clube estima arrecadar R$ 2,08 bilhões nesse ano, estabelecendo um novo recorde histórico para faturamento entre equipes brasileiras.
Corinthians e São Paulo são os outros dois times cujo contrato com uma casa de apostas supera a marca dos 10% do total da receita bruta. O Corinthians tem uma participação de 10,6%, enquanto o São Paulo registra 10,5%. Ambos também figuram entre os poucos clubes brasileiros que recebem anualmente mais de R$ 100 milhões em patrocínios deste segmento. A Superbet contribui com R$ 113 milhões ao São Paulo, enquanto a Esportes da Sorte paga R$ 103 milhões pelo apoio ao Corinthians.
Palmeiras: grande contrato e baixa dependência
O Palmeiras recebe R$ 100 milhões anuais da Sportingbet, valor comparável aos contratos firmados por Corinthians e São Paulo. Contudo, essa quantia representa uma menor proporção nas receitas totais do clube.
No caso do Palmeiras, o patrocínio equivale a apenas 5,6% do orçamento global. Essa diferença deve-se ao fato das receitas totais do clube terem alcançado R$ 1,78 bilhão em 2025.
Exceto pelo Flamengo, Corinthians e São Paulo, nenhum outro time da primeira divisão possui um contrato com casas de apostas que represente mais do que 8% das suas receitas brutas.
Botafogo e Remo estão entre os clubes com menor dependência proporcional desse tipo de acordo; seus contratos representam apenas 3,8% e 3,6% das respectivas receitas analisadas no estudo.
Clubes estão se afastando do setor
A presença das casas de apostas como patrocinadoras no futebol brasileiro não é uniforme; alguns clubes romperam acordos anteriores e estão em busca de outras fontes financeiras. Bahia, Grêmio e Internacional perderam neste ano os contratos que mantinham com antigas patrocinadoras do setor.
No contexto da Série A, Athletico-PR e Coritiba também deixaram seus contratos com empresas de apostas após terem estampado essas marcas nas camisas durante sua participação na segunda divisão em 2025.
Por outro lado, algumas equipes optaram por parcerias com empresas pertencentes a outros setores. Bragantino e Mirassol estão atualmente patrocinados por marcas do setor bebidas em seus uniformes.
Dessa forma, embora as casas de apostas movimentem valores consideráveis no futebol brasileiro, o efeito possível de uma redução desses investimentos varia amplamente entre os diferentes clubes. Enquanto alguns contratos podem alcançar centenas de milhões em reais, a contribuição dessas receitas para o orçamento total depende diretamente da dimensão e estrutura financeira individual de cada equipe.

