A nova geração de filhos de refugiados brilha como a promessa da Austrália na Copa

A Austrália busca restabelecer sua trajetória na Copa do Mundo, agora com a inclusão de filhos de refugiados em sua seleção.

Os torcedores australianos já experimentaram o sabor da vitória.

Você se lembra onde estava quando o presidente Kennedy foi assassinado? E no dia em que os ataques às torres gêmeas em Nova York ocorreram?

Essas são questões comuns relacionadas a eventos marcantes na vida das pessoas.

No contexto esportivo, uma data emblemática para a Austrália é 16 de novembro de 2005.

Naquela ocasião, após derrotar o Uruguai por 1 a 0 no jogo de volta da repescagem para a Copa, 82.698 espectadores assistiram atônitos à disputa de pênaltis, onde um herói uruguaio, Darío Rodríguez, falhou.

Com essa vitória, a Austrália retornava à Copa do Mundo após um hiato de 32 anos!

A edição de 2026 será a sexta consecutiva da seleção australiana, famosa pelo seu estilo defensivo sólido.

Ao chegar em Brisbane, na Austrália, em 1993 para cobrir o primeiro Grande Prêmio da Cart realizado no país — que teve como vencedor o britânico Nigel Mansell —, o futebol era apenas uma lembrança distante.

O rugbi dominava as conversas.

A equipe australiana não teve sucesso em sua estreia na Copa de 1974; ficou presa em um grupo com Alemanha Ocidental, Alemanha Oriental e Chile. Seu único resultado foi um empate sem gols contra os chilenos, e saiu sem marcar nenhum gol durante toda a competição.

A Austrália enfrentou um revés com a lesão de McGree. Instagram

Três décadas de investimentos

Os esforços financeiros realizados ao longo de trinta anos começaram a dar frutos em 2022 no Catar: após sofrer uma goleada da campeã França, a Austrália conquistou duas vitórias na fase de grupos, ambas por 1 a 0 (contra Tunísia e Dinamarca).

No entanto, seu próximo desafio foi contra a Argentina liderada por Lionel Messi, que também se tornaria campeã; os argentinos conseguiram uma vitória apertada por 2 a 1.

As expectativas dos australianos eram altas para repetir esse desempenho em 2026, mas surgiram desafios inesperados.

Recentemente, o time perdeu seu principal atleta, o meia Riley McGree, devido a uma lesão.

Tony Popovic, ex-jogador croata nomeado treinador da seleção em 2024, demonstrou coragem ao convocar Tete Yengi, centroavante que atua no Japão, para substituir Mitch Duke, que foi cortado e é dez anos mais velho.

A seleção australiana vem de uma impressionante vitória em seu último amistoso (5 a 1 contra Curaçao) e se prepara para enfrentar México e Suíça antes do início da Copa.

Grupo desafiador

O grupo sorteado para a seleção é difícil: Turquia, Estados Unidos e Paraguai aguardam pela Austrália.

Duas promessas jovens do país são Nestory Irankunda e Mohamed “Mo” Touré; ambos têm apenas 21 e 22 anos respectivamente.

Nestory nasceu na Tanzânia e pertence a uma família de refugiados oriunda do Burundi; já Touré vem de uma família liberiana que buscou abrigo na Guiné. Os laços entre eles são profundos devido à sua identidade comum e ao fato de jogarem na mesma liga atualmente.

Nestory defende o Watford na segunda divisão inglesa enquanto Touré joga pelo Norwich City.

Ambos sentem uma profunda gratidão pela Austrália e acreditam que isso pode servir como motivação; conforme Touré expressou em entrevista:

Este país nos proporcionou uma nova vida; portanto, retribuir fazendo o que amo no mais alto nível é o melhor caminho possível.

Curiosamente, antes do amistoso vencido pela Austrália contra Curaçao, um editorial impactante foi publicado pela página Futebol Australiano:

A verdade incômoda que muitos evitam reconhecer: Curaçao representa o ápice do mercado de identidades mercenárias promovido pela FIFA, onde passaportes muitas vezes superam conexões genuínas.

Surpreendentemente! A própria Austrália pode contar com duas promissoras estrelas nascidas fora do país para tentar avançar na fase inicial da Copa de 2026 mesmo sem seu principal jogador.

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