Na próxima semana, a Polícia Federal realizará os depoimentos do atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, do ex-presidente da entidade Roberto Campos Neto, e do controlador do BTG Pactual, André Esteves, no âmbito da investigação relacionada ao Banco Master. Os três serão convocados como testemunhas.
A nova fase da investigação acontece em meio à apuração de indícios de que servidores e ex-servidores do Banco Central podem ter atuado em favor de Daniel Vorcaro, antigo controlador do Master, incluindo o possível compartilhamento de informações referentes à supervisão da instituição. Todos os envolvidos negam qualquer irregularidade.
Os depoimentos estão agendados para ocorrer ao longo da semana, com Esteves sendo ouvido na segunda-feira, seguido por Galípolo na terça e Campos Neto na quarta. Além disso, Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do BC, deverá prestar um novo depoimento na quinta-feira. É importante ressaltar que as datas ainda podem sofrer alterações a pedido dos advogados das partes.
Esses nomes foram incluídos nesta fase da investigação após o ex-diretor do BC, Paulo Sérgio Souza, relatar à PF sobre reuniões que abordaram a situação do Master. Ele declarou que membros da alta administração da autoridade monetária discutiram problemas identificados na instituição e as possíveis direções para seu futuro.
Segundo Paulo Sérgio, ele participou de duas reuniões com Galípolo. Em uma dessas ocasiões, foram debatidos os desafios enfrentados pelo Master em relação ao recolhimento dos depósitos compulsórios, além das possibilidades de liquidação ou uma solução alternativa envolvendo outra instituição financeira.
O ex-diretor também mencionou Campos Neto e o BTG como parte do foco das investigações. Ele afirmou que o banco de André Esteves teria descoberto uma suposta fraude no valor de R$ 32 bilhões ao analisar o Master no final de 2024. Uma apresentação sobre essa questão teria ocorrido em dezembro daquele ano, com a presença do então presidente do Banco Central.
A presença de Esteves no inquérito se justifica pelo fato de que o BTG analisou ativos relacionados ao Master. A Polícia Federal busca esclarecer os detalhes dessas reuniões, as informações compartilhadas e a atuação dos integrantes do Banco Central diante dos problemas detectados na instituição.
A Operação Compliance Zero investiga alegações de fraudes financeiras associadas ao Master, que foi controlado por Vorcaro e posteriormente liquidado pelo Banco Central.

