A família do youtuber Paulo Cezar Goulart Siqueira, conhecido como PC Siqueira, solicitou uma avaliação particular que sugere que ele foi estrangulado e assassinado com um fio de fone de ouvido em seu apartamento localizado em São Paulo. Essa análise foi realizada em março deste ano, dois anos após o falecimento do influenciador.
O laudo em questão desafia as conclusões anteriores do Instituto Médico Legal (IML), do Instituto de Criminalística (IC) e da Polícia Técnico-Científica, que atribuíam a causa da morte ao suicídio. Em 2025, esses órgãos afirmaram que PC Siqueira havia sido encontrado enforcado com uma cinta de catraca. Segundo a versão oficial, o youtuber teria cometido suicídio na presença de sua ex-namorada Maria Luiza Lopes Watanabe.
A nova investigação levanta outra possibilidade sobre a morte do influenciador. O perito particular Francisco João Aparício La Regina, ex-integrante da Polícia Técnico-Científica, declarou que a asfixia teria sido provocada por um fio fino e que as marcas encontradas no pescoço de PC seriam compatíveis com um fio preto de fones de ouvido achado no apartamento.
A perícia adicional também destaca que o padrão e a largura das lesões no corpo de PC não correspondem à cinta de catraca laranja, que é mais larga. O documento pericial, composto por 48 páginas, não identifica o autor do crime.
Nova análise policial
Diante das novas informações, o Ministério Público requisitou à Polícia Civil que envie o fio dos fones de ouvido ao IML e ao IC. A comparação será feita entre o objeto e as marcas encontradas no corpo de PC. Entretanto, devido ao tempo decorrido desde a morte, não será possível realizar uma exumação; portanto, as análises se basearão em fotografias do cadáver.
Em 2025, a Promotoria já havia identificado discrepâncias nos laudos periciais e contradições nos depoimentos, levando à decisão judicial para dar continuidade às investigações. Apesar do inquérito ter sido encerrado pela Polícia Civil sob a classificação de suicídio, o arquivamento definitivo ainda não foi autorizado.
A investigação está explorando novas direções como instigação ao suicídio, homicídio simulado e omissão de socorro. Algumas pessoas próximas ao youtuber foram investigadas, mas até agora não há suspeitos oficialmente identificados.
Relembre o caso
No dia 27 de dezembro de 2023, PC Siqueira foi encontrado morto aos 37 anos em seu apartamento. Na época, a perícia indicou que a causa da morte era asfixia mecânica decorrente de enforcamento. Análises toxicológicas revelaram a presença de drogas e medicamentos em seu organismo; no entanto, os peritos concluíram que essas substâncias não foram responsáveis pelo falecimento.
A conclusão do inquérito ocorreu em outubro de 2025 e manteve a versão de que ele teria tirado a própria vida. A família contestou esse resultado, apontando falhas técnicas e questionando a falta de certas diligências como ouvir testemunhas indicadas pela defesa e analisar objetos encontrados no local.
<spanDiante das controvérsias existentes, o Ministério Público optou por não solicitar o arquivamento do caso — uma prática comum em mortes classificadas dessa forma — e pediu novas ações investigativas, incluindo perícias adicionais e reavaliação dos depoimentos com acareações entre testemunhas com relatos divergentes.
A Promotoria também solicitou intimações para pessoas que estiveram com PC nas horas anteriores ao seu falecimento, incluindo sua ex-namorada, uma vizinha e o síndico do prédio. Esses indivíduos foram convocados para relatar suas versões durante uma reconstituição dos eventos.
A ex-namorada, considerada uma testemunha central no caso, decidiu não participar da simulação alegando razões pessoais. Por meio de sua advogada, ela informou que reside no Rio de Janeiro e está amamentando um recém-nascido. A polícia decidiu prosseguir com a reconstituição utilizando seu depoimento anterior.
Diversos relatos obtidos na investigação indicam que o influenciador manifestou desejos suicidas após o término recente do relacionamento ocorrido dois dias antes da sua morte. Amigos entrevistados pela polícia descreveram um relacionamento marcado por frequentes conflitos.
No momento atual, não existem suspeitos formalmente identificados nem evidências conclusivas que indiquem crime. As autoridades afirmam que a reabertura das investigações visa esclarecer questões técnicas e garantir que todas as possibilidades sejam devidamente examinadas.
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