A EMGEPRON, em colaboração com a AMAZUL e o Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), está lançando um projeto que viabilizará a produção interna de hexafluoreto de urânio (UF₆). Este composto é fundamental para o enriquecimento do combustível nuclear que será utilizado no submarino nuclear brasileiro, conhecido como SNCA Almirante Álvaro Alberto.
Conforme informações disponíveis, a instalação da USEXA ocorrerá no Centro Industrial Nuclear de Aramar, localizado em Iperó, São Paulo. Este complexo é considerado o principal centro tecnológico do programa nuclear naval no Brasil.
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Intitulado Projeto USEXA, essa iniciativa representa um avanço significativo na área nuclear brasileira nas últimas décadas. O propósito é garantir que o Brasil se torne autossuficiente em todas as fases do processo de enriquecimento de urânio necessário para a geração de energia nuclear que irá alimentar o submarino em desenvolvimento pela Marinha, que será o primeiro do tipo na América do Sul.
O hexafluoreto de urânio (UF₆) desempenha um papel essencial no enriquecimento isotópico do urânio, transformando o minério tratado em gás. Esse gás é então inserido nas ultracentrífugas, as quais aumentam a concentração do isótopo urânio-235. Sem essa etapa crucial, não há como produzir combustível nuclear tanto para reatores elétricos quanto para propulsão naval.
Atualmente, embora o Brasil possua reservas significativas de urânio e tenha domínio sobre partes importantes da tecnologia necessária para seu enriquecimento, ainda depende parcialmente de serviços externos em algumas fases do ciclo nuclear, especialmente na conversão química que gera o UF₆.
Documentos oficiais indicam que o orçamento previsto para o Projeto USEXA é de aproximadamente R$ 134,5 milhões. Esses recursos contemplam verbas da Marinha do Brasil e subsídios da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
O relatório integrado de gestão da EMGEPRON revela que a distribuição dos recursos inclui R$ 26,1 milhões já alocados pela FINEP e mais R$ 67,1 milhões projetados para os próximos anos pela mesma instituição, além de uma contribuição de R$ 41,1 milhões da Marinha.
A capacidade estimada da USEXA é de produção anual de cerca de 40 toneladas de UF₆. Essa quantidade poderá ser utilizada também nas usinas nucleares Angra 1 e Angra 2, conforme afirmado pela AMAZUL.
Com a implementação da USEXA, o Brasil será capaz de controlar todas as etapas do processo que vão desde a mineração até o enriquecimento do combustível nuclear.
A criação do SNCA Almirante Álvaro Alberto faz parte de uma colaboração estratégica entre Brasil e França iniciada em 2008 sob o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), com foco no fortalecimento da capacidade naval brasileira.
Atualmente, apenas seis países possuem submarinos nucleares: Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido e Índia. Assim sendo, o Brasil se tornará o primeiro país na região sul-americana a dominar essa tecnologia avançada.
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O submarino brasileiro SN-10 está sendo desenvolvido em parceria com a Itaguaí Construções Navais (ICN), conforme delineado na Estratégia Nacional de Defesa publicada em 2008. Esta estratégia visa fortalecer a presença naval e garantir a soberania marítima brasileiras através da proteção das fronteiras oceânicas.
A entrega do projeto estava inicialmente prevista para 2029; no entanto, interrupções nos repasses financeiros anuais têm causado atrasos significativos no progresso do submarino. Assim, a previsão agora é que sua operacionalização ocorra apenas em 2037. Desde 2008, estima-se que os investimentos totais vinculados ao PROSUB tenham alcançado cerca de R$ 40 bilhões considerando todos os projetos envolvidos – tanto submarinos convencionais quanto o submarino nuclear atualmente em desenvolvimento.
Anualmente são destinados cerca de R$ 2 bilhões ao programa. Para manter o cronograma original sem atrasos adicionais seriam necessários aproximadamente R$ 3 bilhões por ano segundo as estimativas recentes elaboradas pelo órgão técnico da Marinha.
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Informações fornecidas pela Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA) ressaltam que a produção de combustível nuclear é uma das cadeias produtivas mais rigorosamente controladas devido ao seu potencial duplo – tanto civil quanto militar. Atualmente, parte desse processamento nas usinas brasileiras depende de acordos internacionais, expondo assim o setor nuclear às flutuações geopolíticas e cambiais.
A criação da USEXA está alinhada ao Decreto nº 9.600/2018 que define as diretrizes da Política Nuclear Brasileira. Em termos geopolíticos, ter controle total sobre o ciclo nuclear aumentará a autonomia internacional do país e minimizará vulnerabilidades externas em setores considerados críticos.

