Washington e Tel Aviv conceberam um plano para o futuro do Irã, visando a ascensão de Mahmoud Ahmadinejad, o ex-presidente iraniano que governou entre 2005 e 2013 e atualmente se encontra sob prisão domiciliar em Teerã. Essa informação foi divulgada pelo New York Times, fundamentada em relatos de autoridades americanas e um aliado próximo ao ex-líder.
De acordo com o periódico, a estratégia elaborada por Israel, que previa consultas prévias com Ahmadinejad, desmoronou no primeiro dia da ofensiva militar.
Mahmoud Ahmadinejad, ex-presidente do Irã (Foto: ATTA KENARE / AFP)
Conforme as fontes consultadas pelo jornal, Trump estava motivado pela recente captura do líder venezuelano Nicolás Maduro e pela disposição da nova presidente interina desse país em colaborar com os Estados Unidos, acreditando que poderia aplicar esse modelo em Teerã.
Entretanto, um ataque israelense direcionado à residência de Ahmadinejad, localizada no bairro de Narmak, na parte leste da capital iraniana, buscava eliminar a guarda da Guarda Revolucionária que o mantinha confinado, configurando-se como uma operação de resgate.
Apesar de ter sobrevivido ao ataque, Ahmadinejad aparentemente perdeu o ânimo em relação ao plano após esse evento. Desde então, não foi visto publicamente e seu paradeiro é desconhecido.
Os ataques realizados por Israel no mesmo dia resultaram na morte do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, além de outras figuras importantes que estavam reunidas em seu complexo no centro de Teerã. A Casa Branca avaliou que algumas dessas personalidades poderiam estar mais abertas a discutir uma transição governamental do que seus superiores.
Uma escolha surpreendente
A escolha de Ahmadinejad é inusitada considerando seu histórico. Durante seus dois mandatos presidenciais, ele se destacou por declarações provocativas sobre “eliminar Israel do mapa” e por sua defesa ardente do programa nuclear iraniano, sendo categorizado como parte da chamada “linha dura” do país.
Nos anos posteriores à sua presidência, no entanto, ele começou a desafiar a liderança do regime. Acusou líderes de corrupção e má gestão, viu assessores serem presos e teve suas tentativas de retorno à presidência barradas pelo Conselho Guardião em três ocasiões — 2017, 2021 e 2024 — todas resultando em derrotas eleitorais.
Em uma entrevista ao New York Times em 2019, ele elogiou Donald Trump e defendeu uma reaproximação entre os dois países.
Viagens recentes à Guatemala (2023) e à Hungria (2024 e 2025), ambos com estreitas relações com Israel, levantaram especulações sobre possíveis contatos. O ex-primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, aliado de Netanyahu, recebeu Ahmadinejad durante uma visita onde ele proferiu um discurso em uma universidade vinculada ao político. O ex-presidente iraniano retornou de Budapeste poucos dias antes dos ataques israelenses iniciados em junho de 2025.
Agências oficiais iranianas inicialmente noticiaram sua morte mas depois corrigiram a informação: embora o ex-presidente tenha sobrevivido aos ataques, seus “seguranças” — membros da Guarda Revolucionária encarregados de sua proteção — foram mortos.

