Tony Bellotto, guitarrista da banda Titãs, expressou sua profunda insatisfação com as posições políticas adotadas por alguns artistas de sua geração, incluindo Roger Moreira, da banda Ultraje a Rigor, e o cantor Lobão. Essa declaração ocorreu na última segunda-feira (6), durante uma entrevista ao programa Roda Viva, veiculado pela TV Cultura, onde discutiu as transformações no panorama político brasileiro e suas implicações para o rock nacional.
De acordo com Bellotto, a adesão desses músicos a ideais da direita, especialmente da extrema direita, está em desacordo com os princípios que fundamentaram o surgimento do rock brasileiro nos anos 1980. Esse período foi marcado pelo processo de redemocratização do país após a ditadura militar.
O músico destacou que sua geração foi intensamente moldada pelo ambiente de repressão política durante o regime militar. Assim, o movimento do rock nacional surgiu como um defensor das liberdades democráticas e um opositor à censura.
Bellotto observou que o cenário político no Brasil passou por mudanças significativas ao longo das últimas décadas, resultando na diminuição do espaço para um debate democrático mais abrangente.
<pEle recordou que, na década de 1990, era viável coexistir com diversas correntes políticas dentro do espectro democrático. Para ele, havia oportunidades de diálogo com setores da esquerda e da centro-esquerda, além de apoiar candidaturas de posições moderadas.
Mário Covas
Como ilustrativo dessa época, Bellotto mencionou sua participação na campanha do ex-governador de São Paulo Mário Covas, ressaltando seu respeito político por ele.
<pO guitarrista enfatizou que sua frustração não se origina da presença de uma direita democrática, mas sim do fato de que alguns artistas de sua geração passaram a adotar posturas que ele considera pertencentes à extrema direita.
Para Bellotto, esse alinhamento representa uma quebra com os valores fundamentais que defenderam a democracia e as liberdades individuais no início da trajetória das bandas de rock dos anos 1980.
A entrevista também abordou os 40 anos do álbum Cabeça Dinossauro, um dos trabalhos mais icônicos dos Titãs, além da durabilidade da banda e das transformações em sua formação ao longo das décadas.
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