No próximo sábado, dia 11, o Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS) abrirá as portas para a exposição Território de passagem, que marca a primeira exibição individual da artista multimídia Ruchita em São Paulo. A entrada é gratuita e a mostra conta com oito obras criadas entre 2017 e 2025, abrangendo videoartes, fotografias, performances e instalações que exploram as interações entre corpo, memória e tempo. A exposição ficará disponível até o dia 24 de agosto.
Natural de Curitiba e atualmente vivendo em Florianópolis, Ruchita tem como foco em sua produção artística o corpo como um espaço de experimentação. A mostra foi elaborada especialmente para o MIS, sob a curadoria de Brunno Almeida Maia e com a direção de arte e expografia de Leandro Leão, criando uma conexão direta com o acervo de videoarte do museu, um dos mais relevantes na América Latina.
A exposição é dividida em dois núcleos curatoriais: O Corpo Inacabado e O Corpo é Tempo. O primeiro núcleo apresenta obras como Não sou finito e a nova série Alternar-se, que tratam sobre vulnerabilidade, repetição e transcendência. Nesta última série, Ruchita utiliza sua experiência pessoal com o diabetes para desenvolver uma investigação visual, empregando elementos como mel e sangue para ilustrar as flutuações físicas e emocionais geradas pela condição.
Obra: Alternar-se – Limiares
Dentre as criações inéditas estão instalações como Limiares, Compasso, Abismo e Um corpo que me rodeia. Nelas, Ruchita recorre a materiais orgânicos para refletir sobre os limites do corpo humano, saúde e cuidados diários. A artista enfatiza que seu objetivo é também aumentar a conscientização sobre uma condição que afeta milhões ao redor do mundo.
“Alternar-se surge de algo que atravessa meu corpo, minhas emoções e meu cotidiano. Acredito ser vital abordar esse tema visto que os números continuam crescendo. Atualmente, mais de 16 milhões de brasileiros convivem com diabetes, enquanto quase 600 milhões enfrentam essa realidade globalmente. Assim, essa obra também convida à reflexão sobre o corpo e os cuidados diários”, declara.
No segundo eixo da exposição, a série Face à impermanência estabelece um diálogo com a filosofia Wabi-Sabi japonesa, que valoriza a imperfeição e a transitoriedade das coisas. As obras registradas no Japão exploram a relação entre contemplação e velocidade, decomposição e permanência, trazendo diferentes vivências relacionadas ao tempo e ao espaço.
Obra: Estar sem estar
A expografia foi planejada para desafiar percursos lineares. Ao invés de um caminho pré-definido, a estrutura da exposição convida os visitantes a criarem sua própria jornada entre vídeos, sons, fotografias e instalações, aproximando a experiência artística da noção de deslocamento e descoberta.
Além da mostra principal, o MIS oferecerá uma programação paralela que inclui visitas mediadas, uma oficina voltada à videoarte, um bate-papo com Ruchita e o lançamento do livro Todo momento de achar é um perder-se a si própria. O livro compila obras da artista entre 2017 e 2025.
Ao comentar sobre sua primeira exibição na capital paulista, Ruchita ressaltou o significado simbólico do evento.
“Há uma forte centralização na produção cultural entre Rio de Janeiro e São Paulo; artistas do Sul, Norte, Nordeste e Centro-Oeste enfrentam desafios em termos de visibilidade. Para mim, estrear em São Paulo no MIS carrega um grande simbolismo”, afirmou.
Obra: Um estado claro de ambiguidade
Serviço
Exposição: Território de passagem — Ruchita
Local: Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS) — Espaço Maureen Bisilliat
Endereço: Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo
Data: De 11 de julho até 24 de agosto de 2026
Entrada: Gratuita
Visitação: Terças a sextas-feiras das 10h às 19h; sábados das 10h às 20h; domingos e feriados das 10h às 18h.
Ativações gratuitas: visita mediada em 20 de agosto às 19h30; bate-papo em 21 de agosto às 19h30; oficina experimental em videoarte em 22 de agosto às 10h.
Observação: Atividades sujeitas à lotação máxima.

