O maestro Marco Aurélio Xavier, que fundou o extinto coral Meninas Cantoras de Petrópolis, respondeu de maneira sarcástica às sérias alegações de abuso que surgiram envolvendo ex-integrantes da formação. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, ele declarou: “Sou muito pior do que disseram” e fez menções provocativas ao nazismo, o que resultou na abertura de um inquérito pela Polícia Civil do Rio de Janeiro para investigar uma possível apologia ao regime totalitário.
As denúncias foram reveladas em junho de 2026, após a veiculação da matéria “Um grito preso na garganta”, da Revista Piauí. Essa reportagem reuniu os depoimentos de 17 ex-coralistas, hoje com idades entre 24 e 60 anos, que compartilharam experiências de assédio moral, além de abusos físicos, psicológicos e sexuais vivenciados durante quatro décadas, quando eram crianças e adolescentes.
Relatos sobre abusos desde a infância
A reportagem destaca que seis ex-integrantes relataram ter sofrido abusos sexuais enquanto faziam parte do coral, composto por meninas entre 9 e 15 anos. Os testemunhos indicam que os episódios ocorreram durante viagens do grupo, em caronas oferecidas pelo maestro após ensaios e até mesmo em quartos de hotéis onde ele estava hospedado.
Além disso, as ex-coralistas descreveram um ambiente marcado por controle excessivo e constantes humilhações. Entre os relatos estão severas punições e restrições quanto ao uso do banheiro durante ensaios prolongados, levando algumas meninas a urinarem nas próprias roupas.
O coral, que conquistou prestígio nacional na década de 1990 com gravações e apresentações ao lado de artistas renomados da música brasileira, acabou reforçando a autoridade do maestro diante das famílias e integrantes do grupo.
Reação polêmica gera indignação
A resposta inicial de Marco Aurélio Xavier foi considerada altamente controversa. No vídeo intitulado “Sou muito pior do que disseram”, o maestro afirmou que a revista havia “perdido tempo” ao publicar as denúncias sem ouvi-lo previamente e insinuou ter “barbaridades maiores” para revelar sobre sua vida.
Ao final da gravação, ele concluiu com a frase:
“Afinal, meus grandes mestres foram nazistas. Fica a dica.”
Embora o conteúdo tenha sido excluído poucas horas após sua publicação, já havia se espalhado pelas redes sociais, gerando forte repercussão pública.
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Tona mudança após críticas
Após a onda negativa de reações, o maestro começou a rejeitar as acusações. Em declarações feitas à imprensa local, ele afirmou que os relatos são caluniosos e alegou não ter tido chance de se defender antes da publicação da reportagem.
A jornalista responsável pela matéria informou que tentou contatá-lo para uma entrevista, mas ele teria recusado todas as tentativas e bloqueado os canais de comunicação disponíveis.
Marco Aurélio Xavier ainda acrescentou que “todos os envolvidos terão que comprovar suas alegações” judicialmente.
Investigação criminal em curso
As declarações relacionadas ao nazismo motivaram a Polícia Civil do Rio de Janeiro a instaurar um inquérito na 105ª DP de Petrópolis, seguindo solicitação da Promotoria de Justiça de Investigação Penal.
A investigação busca determinar se o vídeo configura apologia ao nazismo e também avaliará a gravidade das declarações feitas pelo maestro no contexto das denúncias sobre crimes sexuais contra vulneráveis.
O caso permanece sob investigação e até o momento não há denúncia formal apresentada pelo Ministério Público.

