A entrada em vigor provisória do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, iniciada em 1º de maio, promete transformar o panorama de consumo no Brasil. Com a diminuição e, em muitos casos, a eliminação progressiva das tarifas de importação, produtos premium que atualmente pesam no orçamento dos brasileiros tendem a ter seus preços reduzidos nas prateleiras. Essa iniciativa é fruto de mais de 25 anos de negociações para a formação de uma das maiores zonas de livre comércio do planeta.
É vital destacar que a redução nos preços não ocorrerá instantaneamente para todos os produtos, uma vez que o acordo estabelece um período de transição que pode variar entre imediato e até 15 anos, dependendo da sensibilidade de cada item na economia local. Além disso, como se trata de um acordo provisório, as regras poderão ser ajustadas ao longo do tempo.
Os produtos emblemáticos da culinária europeia são os principais focos da desoneração fiscal, enfrentando atualmente altas taxas tributárias para serem importados para o Brasil. Um exemplo disso são os azeites de oliva; os azeites virgens e extravirgens provenientes da Espanha, Portugal, Grécia e Itália terão suas alíquotas zeradas. Considerando que a Europa é reconhecida mundialmente nesse setor, espera-se um aumento significativo na competitividade em relação aos produtos nacionais e aqueles provenientes de outros países do Mercosul.
Queijos também serão impactados por essa mudança. As variedades de maturação longa ou com origem controlada, como Parmigiano-Reggiano, Grana Padano, Roquefort e Camembert, estão entre os itens prioritários para a redução das tarifas.
Além disso, vinhos e champanhes que atualmente enfrentam altos impostos de importação passarão por um cronograma progressivo para abertura. Essa mudança permitirá que rótulos europeus cheguem ao consumidor final com preços mais próximos aos praticados em mercados vizinhos como Chile e Argentina.
A expectativa é também pela introdução no Brasil de marcas que até então não estavam disponíveis no país, incluindo chocolates premium e uma variedade de frutas secas como peras, maçãs, pêssegos, cerejas e kiwis.
Embora essa notícia seja animadora para os consumidores, o setor produtivo brasileiro observa as mudanças com cautela. A entrada de produtos europeus com preços mais competitivos poderá pressionar a indústria local a buscar maior eficiência e investir em diferenciais qualitativos para preservar sua participação no mercado.

