A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) reassumirá a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade por um período de 90 dias. Essa decisão ocorre após a concessionária Trivia Trens enfrentar uma série de falhas significativas desde que começou a operar essas linhas na última terça-feira (21).
Na manhã da quinta-feira (23), um curto-circuito em um trem da Linha 12-Safira resultou em um incêndio, paralisando as três linhas e deixando passageiros presos nos vagões. A situação gerou a necessidade de intervenção da Polícia Militar. André Isper, diretor-presidente da Artesp, classificou os eventos recentes como “inaceitáveis”.
Incêndio e caos nas primeiras operações privatizadas
Pela manhã, por volta das 5h25, passageiros da Linha 12-Safira capturaram imagens do momento em que uma explosão ocorreu em um trem em movimento entre as estações Brás e Tatuapé, localizadas na Zona Leste de São Paulo. Vídeos mostram clarões e faíscas se espalhando do lado externo do vagão antes que o fogo chegasse ao interior, enquanto gritos e correria eram visíveis entre os ocupantes.
Segundo Paulo Ferreira, diretor de Operação da Trivia Trens, o curto-circuito causou o desligamento de subestações elétricas, resultando na interrupção simultânea das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. Um dos vagões foi consumido pelas chamas, mas felizmente ninguém ficou ferido.
A gravidade do incidente levou a Polícia Militar a atuar no local, ajudando os passageiros a deixarem os trilhos a pé. Muitos tiveram que escalar muros e barrancos ao longo da linha férrea em meio ao caos operacional durante as horas de pico, onde milhares dependem dos trens para se deslocar ao trabalho.
A Trivia Trens havia iniciado oficialmente suas operações apenas dois dias antes do incêndio e já havia registrado três problemas nesse curto espaço de tempo. Na quarta-feira (22), dificuldades nas estações Brás e Barra Funda resultaram em superlotação e longas filas nas plataformas, além de pelo menos quatro ocorrências nas linhas Coral e Safira.
CPTM assume temporariamente operação das linhas
Diante deste colapso operacional, a Artesp determinou que a CPTM retomasse o controle das três linhas por um prazo de 90 dias. André Isper anunciou que essa medida seria formalizada até o final da quinta-feira. Os detalhes sobre como será essa nova gestão pela estatal ainda precisam ser estabelecidos pelo Conselho Diretor da agência.
“O que observamos nos últimos dias, especialmente hoje, é absolutamente inaceitável. Estamos tomando medidas imediatas como fiscais reguladores do contrato”, comentou Isper.
O foco dessa intervenção é “investigar minuciosamente as causas dos problemas ocorridos, especialmente o incidente mais recente, para replanejar as operações e evitar futuros transtornos aos usuários”, acrescentou o diretor-presidente da Artesp.
Além disso, a agência também anunciou a abertura de um procedimento formal para investigar as causas dos incidentes e determinar eventuais responsabilidades por parte da Trivia Trens.
Isper destacou que experiências anteriores com as concessões das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda já haviam evidenciado a importância de uma fiscalização rigorosa e contínua dos resultados obtidos pelas concessionárias, tornando urgente uma análise aprofundada das falhas na nova concessão.
A cláusula do contrato assinado em 2025 com a empresa previa a possibilidade de retorno temporário da CPTM em situações excepcionais — uma medida acionada agora menos de uma semana após o início das operações privadas.
Incêndio expõe vulnerabilidades das privatizações
No terceiro dia de operação das linhas privatizadas sob responsabilidade da Trivia Trens, um incêndio atingiu um trem na manhã desta quinta-feira (23). O incidente interrompeu o fornecimento elétrico e causou paralisação total nas operações da CPTM, obrigando os passageiros a evacuar os trens e caminhar pelos trilhos na cidade de São Paulo.
O fogo teve origem em um trem da Linha 12-Safira próximo à estação Bresser-Mooca. O Corpo de Bombeiros foi chamado durante a madrugada e confirmou que não houve vítimas. Após o controle do incêndio, imagens revelaram o interior do vagão devastado pelas chamas, com bancos queimados e destroços espalhados pelo chão.
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Esse episódio ocorreu após dois dias repletos de falhas nas mesmas linhas operadas pela Trivia Trens desde sua formalização na terça-feira (21). A sequência de problemas técnicos gerou críticas renovadas ao modelo privado adotado pelo governo Tarcísio no setor ferroviário.
Incêndio provoca interrupções significativas
Conforme informado pela concessionária, o incêndio causou uma falha no sistema elétrico que exigiu o desligamento imediato das subestações responsáveis pela alimentação elétrica. Tanto a Linha 12-Safira quanto a Linha 13-Jade tiveram suas operações interrompidas completamente; já a Linha 11-Coral passou a operar parcialmente entre as estações Estudantes e Corinthians-Itaquera.
O Serviço Expresso Aeroporto também teve suas atividades suspensas. Passageiros com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos foram forçados a buscar alternativas através do Metrô ou ônibus intermunicipais.
Com os trens parados, os usuários desembarcaram diretamente nos trilhos e começaram a caminhar pela via férrea. Nos trechos mal iluminados, muitos utilizaram lanternas dos celulares para enxergar melhor. Policiais militares foram chamados para auxiliar na evacuação dos passageiros.
Imagens feitas na Zona Leste mostram policiais ajudando os cidadãos a cruzar muros para alcançarem a Avenida Celso Garcia. Idosos e pessoas com dificuldade de locomoção receberam suporte durante todo o trajeto.
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A concessionária ativou o Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese), disponibilizando ônibus entre Bresser-Mooca e USP Leste; no entanto, muitos passageiros relataram falta de informações claras sobre pontos de embarque e rotas disponíveis.
A história tumultuada da Trivia Trens
A ocorrência do incêndio se deu no terceiro dia após o início das atividades da Trivia Trens nas linhas mencionadas anteriormente. A empresa assumiu estas operações após um processo transitório supervisionado pela CPTM.
No primeiro dia dessa nova fase operacional (terça-feira), passageiros enfrentaram atrasos significativos bem como superlotação nas estações. Os problemas persistiram na quarta-feira (22), refletindo-se até mesmo durante as primeiras horas da madrugada seguinte.
No dia seguinte ao incêndio, este evento foi responsável pela maior interrupção enfrentada desde o começo dessa nova concessão. A Linha 3-Vermelha do Metrô teve que aumentar sua capacidade operacional para atender à demanda crescente dos usuários impossibilitados de prosseguir viagem pelos trens convencionais.
Para contornar essa situação emergencial, composições adicionais foram colocadas em circulação pelo Metrô nas estações Tatuapé e Corinthians-Itaquera. Além disso, a Prefeitura suspendeu temporariamente o rodízio municipal nas vias situadas na Zona Leste.
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A série contínua de problemas enfrentados nos primeiros dias pela Trivia Trens ilustra bem as preocupações levantadas por trabalhadores e entidades contrárias à privatização das linhas ferroviárias.
Criticas à privatização antes do incêndio
Antes mesmo do incêndio ocorrido nesta quinta-feira (23), o ministro da Fazenda Fernando Haddad já havia manifestado críticas sobre esse modelo privatizado na quarta-feira anterior ao incidente. Ele divulgou imagens mostrando uma Estação Brás lotada durante seu primeiro dia operacional sob novo gerenciamento privado.
“Assim estava a Estação Brás ontem aqui em São Paulo no primeiro dia da operação privatizada das linhas 11, 12 e 13 da CPTM”, escreveu Haddad em seu perfil social.
A repercussão negativa aumentou após o fogo no trem no dia seguinte às suas declarações. As imagens dos vagões destruídos assim como dos passageiros caminhando pelos trilhos rapidamente se espalharam pelas redes sociais durante toda manhã subsequente ao acidente.
https://x.com/lazarorosa25/status/2080245034461401334
https://x.com/EdianeMariaMTST/status/2080267063751250115
https://x.com/Sinklayjogador/status/2080217204159660079
Duração contratual significativa para Tarcísio
A Trivia Trens é uma propriedade do Grupo Comporte, vencedor do leilão referente às linhas privatizadas mencionadas anteriormente. O contrato sob supervisão da Artesp tem validade por 25 anos com previsão total de R$14 bilhões em investimentos.
A operação começou sob monitoramento direto da CPTM; entretanto, está programado que até julho de 2027 a concessionária assuma integralmente os serviços prestados.
As três linhas têm como função conectar regiões centrais à Zona Leste paulistana assim como ao Alto Tietê e ao Aeroporto Internacional de Guarulhos — juntas elas atendem centenas de milhares diariamente que dependem desse transporte público para trabalhar ou estudar.
A concessão promete investir pesadamente em infraestrutura ferroviária incluindo trilhos novos, modernização elétrica além melhoria nas sinalizações operacionais; conforme estabelecido pela Lei Geral das Concessões todos serviços públicos devem atender requisitos básicos como regularidade eficiência segurança contínua prestação.
No entanto,o incêndio precoce somado às falhas anteriores revela uma grande discrepância entre promessas feitas com relação à privatização versus realidade encontrada pelos usuários logo nos primeiros momentos desta nova gestão.
Crescimento significativo nos problemas operacionais
A crise vivida pela Trivia Trens não é isolada dentro do sistema ferroviário paulista; levantamento realizado revelou aumento exponencial nos problemas operacionais nos trens metropolitanos durante os primeiros meses desse ano devido às falhas atribuídas especificamente às novas concessões.
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Sendo assim,a supervisão direta sobre as linhas ficou restrita apenas à Linha10-Turquesa enquanto avanço nas concessões diminui presença estatal direta enquanto amplia responsabilidade regulatória imposta pelas agências fiscalizadoras sobre empresas concessionárias.
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A Artespl informou estar acompanhando todos desdobramentos relacionados aos incidentes ocorridos assim como ações tomadas pela concessionária.Tratativas ainda continuam sem definição clara acerca causa exata do sinistro.O governo estadual até momento não anunciou penalidades contra empresa responsável pelas operações ferroviárias.
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No entanto,o resultado prático desses primeiros dias foi marcado por atrasos constantes,sobrecarga insuficiência informativa interrupções significativas riscos elevados.Todos esses fatores culminaram numa imagem clara acerca fragilidade desse modelo apresentado pelo governo Tarcísio como solução moderna para transporte público.

