O presidente da Fifa, Gianni Infantino, está considerando a venda de participações comerciais da Copa do Mundo para um grupo de investidores privados, que incluiria Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro e ex-assessor de Donald Trump.
A proposta, que foi divulgada pelo The Times, sugere a formação de uma empresa responsável pela gestão dos direitos comerciais tanto da Copa do Mundo quanto da Copa do Mundo de Clubes. O principal objetivo dessa iniciativa é aumentar as receitas da organização.
A Uefa não tardou a se manifestar, enfatizando que o futebol não deve ser tratado como um ativo comercial negociável.
Segundo informações do The Times, a intenção de Infantino é estruturar essa nova entidade seguindo um modelo que permita a entrada de capital privado por meio da venda de ações. Essa mudança poderia impactar significativamente a maneira como a Fifa gerencia seus bens mais valiosos.
A Fifa justificou sua proposta através de um comunicado, ressaltando que a criação dessa companhia possibilitaria a distribuição imediata de US$ 20 milhões para cada uma das 211 associações nacionais filiadas, além de potencializar as receitas dessas entidades nos anos subsequentes.
Embora o argumento financeiro pareça beneficiar diretamente as bases do futebol mundial, o cerne da controvérsia reside na estrutura da operação, que coloca investidores privados no centro da administração.
Conexões familiares com Trump e resistência da Uefa
De acordo com o The Times, o grupo interessado na operação contaria com Joshua Kushner em uma posição de liderança. A relação entre Infantino e o círculo próximo a Trump se intensificou durante a Copa do Mundo de 2026, realizada em solo dos Estados Unidos, Canadá e México, onde Infantino foi frequentemente visto ao lado do presidente americano.
A Uefa não poupou críticas à proposta. Em uma declaração nas redes sociais, considerou a iniciativa “extremamente séria” e estabeleceu um limite claro: “A essência e a governança do futebol não são mercadorias negociáveis, especialmente sem qualquer transparência sobre quem se beneficiará financeiramente”, destacou.
A confederação europeia deixou claro que essa é uma linha “que não deve ser cruzada”, sinalizando sua disposição para contestar essa proposta nas instâncias superiores do futebol global. O apelo por maior transparência é uma crítica fundamental: a Uefa questiona não apenas o modelo proposto, mas também falta de clareza sobre quem realmente lucraria com essa movimentação.
Potenciais consequências e próximos passos
Se avançar, essa iniciativa poderá representar uma das mudanças mais significativas na estrutura comercial do futebol mundial, permitindo que investidores privados tenham participação direta na gestão dos ativos relacionados à Copa do Mundo.
A proposta também tem implicações pessoais para Infantino. Ele é considerado favorito para ser reeleito presidente da Fifa em 2027 e pode assumir o comando da nova empresa ao deixar sua posição na entidade em 2031, segundo informações do The Times.
Dessa forma, essa proposta não é apenas uma reforma institucional; trata-se também de um plano futuro para o próprio dirigente. Isso torna ainda mais pertinente a demanda por transparência levantada pela Uefa sobre quem estará no controle e quem se beneficiará dessa nova estrutura pretendida.

