A carne de frango se tornou a proteína mais consumida nas residências brasileiras, presente em quase todas as regiões do país. O relatório anual da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) revela que o consumo per capita atingiu 46,7 kg por pessoa anualmente, fortalecendo o mercado interno e aparecendo em pratos que variam desde refeições do dia a dia até receitas mais sofisticadas.
Apesar da sua popularidade, é fundamental ter cuidado na forma de preparo. Certos hábitos culinários tradicionais podem comprometer a segurança alimentar. Práticas como descongelar o frango em temperatura ambiente ou lavá-lo antes do cozimento podem aumentar a disseminação de microrganismos prejudiciais no lar.
A nutricionista Joelia Silva, da Tijuca Alimentos, ressalta que o descongelamento correto deve ser feito de maneira gradual e sob controle, preferencialmente na geladeira. “O ideal é tirar o frango do congelador com antecedência e deixá-lo descongelar na geladeira, preferencialmente na prateleira inferior e dentro de um recipiente para conter os líquidos que podem ser liberados”, orienta a especialista.
Essa orientação é válida para todos os tipos de cortes, incluindo filé de peito, sassami, coxas, sobrecoxas e coxinha da asa. O processo lento e refrigerado garante que a carne não fique exposta a temperaturas que favoreçam o crescimento rápido de bactérias.
Por que lavar o frango cru não é recomendado?
Lavar o frango cru antes de temperar ou cozinhar é uma prática comum em muitas culturas. No entanto, estudos na área de segurança alimentar demonstram que essa prática não é eficaz para limpeza e pode resultar em contaminação cruzada grave.
A nutricionista explica que quando a água entra em contato com o frango cru, ela pode causar respingos invisíveis que espalham microrganismos pela pia, bancadas, utensílios e outros alimentos próximos. “Portanto, não há necessidade de lavar a carne. O cozimento adequado é o único método eficaz para eliminar completamente os microrganismos que representam riscos à saúde”, esclarece Joelia.
Para minimizar riscos, recomenda-se lavar bem as mãos antes e após manusear carne crua; usar tábuas de corte e utensílios limpos — preferencialmente dedicados apenas para carnes — além de manter o frango cru separado de alimentos prontos para consumo.
Ela também sugere armazenar a carne sob refrigeração logo após o preparo caso não seja consumida imediatamente. Os produtos congelados devem permanecer congelados até serem levados ao congelador caseiro, enquanto cortes resfriados devem ser mantidos sob refrigeração rigorosa, sempre respeitando os prazos de validade e as instruções do fabricante presentes nas embalagens.

