Lançado em 1902, Os Sertões, obra de Euclides da Cunha, já é considerado um ícone da literatura brasileira. Mais de cem anos após sua publicação, uma cópia inicial do livro foi arrematada por R$ 143 mil em um leilão que ocorreu em dezembro de 2021. Esse valor fez com que a obra se tornasse a mais cara já vendida no Brasil, figurando entre os livros de autores nacionais mais valiosos com registro de venda.
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Conforme levantamento realizado pela Revista Bula, a edição que foi leiloada foi publicada pela editora Laemmert & Cia., no Rio de Janeiro, com a tiragem financiada pelo próprio autor. Este exemplar tem 602 páginas e faz parte da primeira edição da obra, que foi apresentada ao público em 1902, ano em que Euclides da Cunha expôs sua análise sobre a Guerra de Canudos.
O elevado preço não se deve apenas ao valor literário, já amplamente acessível em versões modernas, mas também à raridade do objeto. A condição física do livro, a preservação da brochura original, sua proveniência e características únicas são fatores que aumentam o apelo para colecionadores e bibliófilos.
O volume começou sendo oferecido a R$ 1,2 mil e, após intensa disputa entre colecionadores, alcançou o impressionante total de R$ 143 mil, estabelecendo um novo recorde documentado para um livro impresso de um autor brasileiro vendido no território nacional. Quando corrigido pela inflação até junho de 2026, esse montante corresponde aproximadamente a R$ 179 mil em agosto deste ano.
Considerada uma obra fundamental da literatura brasileira, Os Sertões foi escrita com base na vivência de Euclides da Cunha como correspondente durante a Guerra de Canudos, ocorrida na Bahia em 1897. O livro está estruturado em três partes: “A terra”, “O homem” e “A luta”, utilizando observações sociais, descrições geográficas e narrativas históricas para apresentar o conflito vivenciado no sertão baiano.

