A crescente influência da extrema direita tem levado à rotulação de todos os opositores como terroristas.
Essa categorização abrange diversos grupos, inclusive aqueles que operam dentro dos limites da democracia. Trata-se de uma perspectiva extremamente perigosa, que se utiliza do lawfare e da judicialização da política, métodos que já resultaram no impeachment de Dilma Rousseff e na prisão de Luiz Inácio Lula da Silva.
Tal abordagem é uma maneira direta de deslegitimar os adversários, transformando-os em inimigos e rotulando-os como terroristas.
Os verdadeiros terroristas são aqueles que empregam a violência para realizar atividades políticas. A oposição em ambientes democráticos deve ser confrontada por meio de debates ideológicos, independentemente do quão extremas sejam essas opiniões.
A forma mais eficaz de desacreditar um rival é chamá-lo de terrorista, o que elimina a necessidade de apresentar argumentos; essa simples ofensa é suficiente.
Aqueles que utilizam essa retórica automaticamente se posicionam como defensores da democracia, mesmo quando recorrem a táticas não democráticas ao classificar seus opositores como terroristas. Presumem que essa atitude é um sinal de comprometimento democrático.
No entanto, essa perspectiva deve ser contestada. A introdução desse conceito com o intuito de desqualificar adversários reflete uma abordagem autoritária em vez de democrática nas disputas políticas e ideológicas.
Aqueles que usam essa terminologia não demonstram respeito pela democracia. Um verdadeiro democrata valoriza as diferenças e busca debater com argumentos, evitando a desqualificação do outro.
A maneira como se define o outro serve também para se autodefinir. Ao rotular alguém como terrorista, o indivíduo o deslegitima ao ponto de dispensar qualquer argumentação.
Desqualificar o outro, mesmo sem recorrer à violência, implica sua exclusão e a isenção da obrigação de argumentar. O rótulo de terrorista implica que aquele assim classificado representa o mal, enquanto quem faz a acusação se coloca como representante do bem.
No governo Donald Trump, mais de 50 mil pessoas foram detidas em um único mês. Ele aplica métodos repressivos e cruéis contra imigrantes. Quando a mídia tradicional menciona Nicolás Maduro, por exemplo, refere-se a ele como ditador ou ex-ditador. Contudo, quando se trata de Trump, raramente utiliza esse título, mesmo diante das críticas.
Sempre há uma tendência a considerar o outro como terrorista. No contexto democrático, isso caracteriza quem promove tal desqualificação.
*Este artigo não necessariamente reflete a opinião da Fórum.

