Na última sexta-feira (25), o governo federal anunciou uma nova fase do programa de negociação de dívidas, intitulada Desenrola 3.0. A iniciativa visa beneficiar até R$ 150 bilhões em débitos das famílias brasileiras.
A proposta estabelece que a União irá adquirir carteiras de dívidas de instituições financeiras com um desconto mínimo de 90%, transferindo essa economia aos consumidores. Os devedores terão a opção de quitar o valor remanescente de forma integral ou em parcelas.
O governo planeja alocar até R$ 15 bilhões para o programa, recursos que deverão ser incorporados aos Orçamentos de 2027 e 2028. O montante final dependerá dos descontos que os credores oferecerem durante os leilões das carteiras.
Para esta nova fase, serão aceitas dívidas com valores de até R$ 10 mil e com atrasos que variam entre dois anos e quatro anos e meio, considerando como referência a data de 25 de setembro de 2026.
No primeiro momento, as prioridades serão débitos relacionados a cartão de crédito rotativo, parcelamentos de cartão e crédito pessoal sem desconto em folha. Em fases subsequentes, o programa poderá abranger dívidas referentes a setores como varejo, serviços públicos de água e energia.
Dados do governo indicam que há atualmente cerca de 83,9 milhões de brasileiros negativados, totalizando um montante aproximado de R$ 592 bilhões em dívidas. Deste total, cerca de R$ 300 bilhões correspondem a débitos com mais de dois anos em atraso.
A previsão é que o primeiro leilão para aquisição dessas carteiras ocorra em novembro. Essa operação será realizada pelo Tesouro Nacional ou por uma instituição financeira pública.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, já havia sinalizado sobre a implementação desta nova versão do programa. O principal objetivo mencionado pelo governo é minimizar o comprometimento da renda das famílias e combater o problema do superendividamento.
A terceira edição do Desenrola surge logo após o término da versão anterior, que permitia renegociações diretas entre consumidores e instituições financeiras. Informações previamente divulgadas indicam que uma parte dos acordos realizados na etapa anterior voltou a apresentar inadimplência.

