No dia 23 de novembro, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apresentará o relatório conclusivo referente à queda do avião da Voepass, ocorrida em Vinhedo (SP), que resultou na morte de 62 pessoas em 2024.
A entrega do documento está agendada para às 17h e será feita à companhia aérea, após a apresentação das informações obtidas durante as investigações aos familiares dos falecidos. O relatório final detalhará as conclusões alcançadas ao longo de dois anos de apuração sobre os prováveis fatores que levaram ao trágico acidente.
Entre os dados coletados pelo Cenipa, estão a análise das duas caixas-pretas da aeronave, a reconstrução completa do voo, a verificação das condições meteorológicas no dia do sinistro, um estudo abrangente de mais de 15 mil voos realizados por aeronaves da mesma frota da empresa, além de testes em simuladores e um voo experimental com outro modelo ATR 72-500. Também foram examinados os motores, os sistemas de degelo, proteção contra estol, registros de manutenção e certificados médicos dos pilotos, entre outros documentos técnicos.
A análise realizada pelo Cenipa foi validada por entidades internacionais, conforme estipulado pelos protocolos vigentes. Assim, o documento recebeu a avaliação do Bureau d’Enquêtes et d’Analyses pour la Sécurité de l’Aviation Civile (BEA), da França — responsável pela concepção e fabricação do ATR 72-500 — e também do Transportation Safety Board (TSB), do Canadá, que se encarrega do projeto dos motores da aeronave.
Lembre-se do acidente
No dia 9 de agosto de 2024, o voo 2283 da Voepass Linhas Aéreas partiu de Cascavel (PR) com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), mas caiu em Vinhedo, interior paulista.
A aeronave envolvida era um modelo ATR 72-500, um turboélice fabricado na França e na Itália, que colidiu com um condomínio residencial. Após o impacto, o avião incendiou-se. Todas as 62 pessoas a bordo, incluindo 58 passageiros e 4 membros da tripulação, perderam suas vidas no local. Apesar da queda ter ocorrido em uma área habitada, não houve vítimas ou feridos em solo.
A queda ocorreu pouco antes da chegada ao destino final, quando a aeronave perdeu altitude rapidamente. Imagens capturadas por moradores mostraram o avião descendo em uma trajetória quase vertical e girando sobre seu eixo antes de atingir o chão.
A investigação ficou sob a responsabilidade do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), vinculado à Força Aérea Brasileira, contando também com o apoio da Polícia Federal e Polícia Civil, entre outros órgãos envolvidos. Nos primeiros dias após o acidente, especialistas levantaram como hipótese principal a possibilidade de formação intensa de gelo durante o voo. No entanto, o Cenipa concluiu que a presença do gelo não poderia ser considerada a única explicação para o ocorrido;

