O Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026, divulgado na quarta-feira (20), aponta que os estados das regiões Centro-Sul do país se destacam em qualidade de vida. Em contraste, as regiões Norte e Nordeste enfrentam consideráveis desafios decorrentes de desigualdades estruturais, impactando renda, infraestrutura urbana e o acesso a serviços públicos essenciais.
Com a avaliação de 5.570 municípios brasileiros, o estudo utilizou 57 indicadores sociais e ambientais, organizados em três categorias principais: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-estar e Oportunidades.
A pesquisa foi realizada por meio de uma parceria entre várias instituições, incluindo Imazon, Fundação Avina, a iniciativa Amazônia 2030, o Centro de Empreendedorismo da Amazônia e a organização internacional Social Progress Imperative.
Ranking dos 10 estados com melhor qualidade de vida em 2026
- Distrito Federal — 70,73
- São Paulo — 67,96
- Santa Catarina — 65,58
- Paraná — 65,21
- Minas Gerais — 64,66
- Goiás — 64,52
- Mato Grosso do Sul — 64,14
- Espírito Santo — 63,61
- Rio de Janeiro — 63,47
- Rio Grande do Sul — 63,39
Diferente dos indicadores econômicos tradicionais como PIB ou renda per capita, o IPS tem como foco avaliar o impacto real na vida cotidiana das pessoas. O índice leva em conta aspectos como habitação adequada, saneamento básico eficiente, segurança pública efetiva e acesso à educação e saúde de qualidade. Além disso, considera a inclusão social e os direitos individuais, bem como a qualidade ambiental e a disponibilidade de ensino superior.
A metodologia utilizada pelos pesquisadores baseia-se exclusivamente em dados públicos e passa por rigorosos processos estatísticos que incluem validação e normalização através da Análise de Componentes Principais (ACP), resultando em uma pontuação que varia de 0 a 100.
No cenário prático, é possível observar que cidades ou estados com rendimentos semelhantes podem exibir grandes disparidades no que diz respeito ao bem-estar social. Essas variações podem ser atribuídas à eficácia das políticas públicas implementadas e à distribuição dos serviços essenciais.
O Distrito Federal se destacou neste estudo com uma pontuação de 70,73, mantendo-se na liderança do ranking nacional. Essa posição é impulsionada por uma renda média elevada e uma vasta gama de serviços públicos de alta qualidade. Além disso, os indicadores educacionais da região são superiores à média nacional.
A capital do país também abriga uma significativa parte da administração pública nacional e possui um dos maiores índices de profissionais com diploma superior do Brasil.
No entanto, o relatório destaca que mesmo os estados com altas pontuações enfrentam desafios importantes. A dimensão “Oportunidades” apresentou o pior desempenho médio no país com apenas 46,82 pontos.
C embora os estados das regiões Sul e Sudeste ocupem as melhores posições no ranking geral, algumas áreas do Nordeste se destacam positivamente em termos de inclusão social. Isso está relacionado à representação política e ao acesso das minorias a espaços significativos na sociedade.
Ainda assim, o relatório evidencia sérias vulnerabilidades na saúde pública nas regiões Sul e Sudeste. Entre esses problemas estão as elevadas taxas de obesidade, suicídio e mortalidade causada por doenças crônicas não transmissíveis.
No total geral apresentado pelo IPS Brasil 2026, a média nacional foi de 63,40 numa escala que varia entre 0 a 100. A dimensão que obteve o melhor resultado foi a das Necessidades Humanas Básicas com uma média de 74,58; seguida pelos Fundamentos do Bem-estar com um índice médio de 68,81.
Dentre os componentes analisados especificamente no estudo, “Moradia” alcançou a maior média nacional registrada: impressionantes 87,95 pontos.

