Keith Richards, lendário guitarrista dos Rolling Stones e uma das personalidades mais marcantes do rock, voltou a expressar suas preocupações em relação ao avanço da inteligência artificial e o impacto da tecnologia na vida moderna. Em uma entrevista ao britânico The Guardian, o artista manifestou seu receio não apenas em relação ao futuro da música, mas também sobre a direção que a sociedade está tomando frente à crescente dependência de dispositivos digitais.
Reconhecido por sua valorização de técnicas tradicionais de composição e gravação, Richards descreveu a inteligência artificial como uma tecnologia “rasa e artificial”, ressaltando que seu desenvolvimento representa um risco para a verdadeira essência da criação artística.
“A inteligência artificial está me matando, sabe?”, declarou o guitarrista durante a conversa com o jornalista Alexis Petridis.
“Temo pelo futuro de tudo”
Quando questionado sobre os impactos da tecnologia na música, o músico ampliou seu foco para além do âmbito musical. “Se eu temo pelo futuro da música? Temo pelo futuro de tudo”, afirmou.
As críticas de Richards em relação à inteligência artificial não são novas. Em entrevistas anteriores, como no podcast Sidetracked with Annie and Nick, da BBC, ele fez analogias entre as novas tecnologias e “brinquedos”, argumentando que, embora a indústria já tenha passado por transformações tecnológicas significativas, o atual avanço da inteligência artificial traz riscos sem precedentes para a criatividade humana.
Richards acredita que o uso desenfreado dessas tecnologias pode afetar aspectos essenciais da arte, como autenticidade, emoção e identidade. Para ele, essa preocupação não se limita ao presente, mas se estende às futuras gerações de artistas.
Sua crítica também abrange a crescente dependência dos smartphones. O músico expressou sua convicção de que a sociedade moderna tornou-se excessivamente dependente desses aparelhos móveis e chegou a insinuar que o mundo poderia ser melhor sem eles.
Smartphones
O músico observa que muitas pessoas adotam as novas tecnologias sem uma compreensão adequada de seu funcionamento ou implicações, levando a um aumento na dependência deles.
A visão de Richards contrasta com a postura mais receptiva de seu companheiro de banda, Mick Jagger, que historicamente se mostra mais aberto às inovações tecnológicas e ao surgimento de novas plataformas. Enquanto isso, Richards defende métodos analógicos e processos criativos tradicionais, sustentando que a verdadeira essência da música provém da vivência humana direta.
Com bom humor, ele revelou que sua interação diária com a tecnologia é bastante limitada: “Minha tecnologia diária praticamente se resume a uma chaleira elétrica”, brincou.
As afirmações de Keith Richards se inserem em um debate crescente dentro do setor musical sobre os efeitos da inteligência artificial na criação artística, direitos autorais e preservação da autoria humana – questões que têm mobilizado artistas, produtores e executivos globalmente.

