Na manhã desta quinta-feira (9/7), a Polícia Federal iniciou a 10ª fase da Operação Compliance Zero, cumprindo dois mandados de busca e apreensão em Brasília, emitidos pelo Supremo Tribunal Federal. O foco principal da ação é o publicitário Thiago Miranda, que fundou a agência Mithi e está sendo investigado por sua suposta conexão em um esquema de ataques digitais direcionados ao Banco Central, além de um possível envolvimento em uma organização criminosa com diversas atividades ilegais.
10ª fase da Operação Compliance Zero é deflagrada pela PF
Hoje, a Polícia Federal deu início à décima fase da Operação Compliance Zero. Em cumprimento a ordens do Supremo Tribunal Federal, foram executadas duas buscas na capital federal, tendo como alvo principal o publicitário Thiago Miranda, conhecido por ser o criador da agência Mithi, ou Miranda Comunicação.
A décima etapa da operação investiga o que a PF caracteriza como uma suposta atuação orquestrada em redes sociais com o intuito de desacreditar o Banco Central do Brasil. O fato de os mandados terem origem no STF sugere que a investigação possui relevância e profundidade significativas no contexto jurídico nacional.
Acusações contra Thiago Miranda e atividades da organização criminosa
A investigação vai além dos ataques digitais ao Banco Central. A Polícia Federal também está analisando indícios de que existe uma organização criminosa que pode estar intimidando jornalistas, realizando monitoramento ilícito de indivíduos ligados a autoridades públicas, acessando informações confidenciais de maneira inadequada e tentando obstruir investigações criminais em andamento. O escopo das apurações abrange desde desinformação financeira até perseguições sistemáticas à imprensa.
Thiago Miranda está vinculado a várias frentes dentro do inquérito. Além de ser o alvo central da operação, ele teria intermediado, conforme apurações preliminares, um investimento de R$ 62 milhões feito pelo empresário Daniel Vorcaro na produção do filme Dark Horse, que retrata o ex-presidente Jair Bolsonaro. A relação entre esse episódio e as investigações atuais não foi detalhada pela PF, porém a intersecção entre o publicitário, o financiamento do filme e as atividades suspeitas será objeto de análise nas investigações.
A possibilidade de interferência em processos judiciais é um dos aspectos mais preocupantes deste caso. Caso as suspeitas se confirmem, isso não apenas configuraria um crime isolado, mas também indicaria que a organização estaria buscando maneiras ativas de evitar responsabilidades legais, aumentando assim as possíveis consequências jurídicas.
Perspectivas futuras e implicações da investigação
A Polícia Federal destacou que os fatos sob investigação podem potencialmente caracterizar crimes relacionados ao sistema financeiro nacional, formação de quadrilha e obstrução das investigações sobre organizações criminosas. Além disso, outras infrações ligadas à violação de dados e à utilização indevida de dispositivos eletrônicos também estão sendo investigadas, sugerindo que algumas das ações delituosas podem ter ocorrido por vias digitais.
A corporação anunciou que seguirá com as investigações para esclarecer as atividades do grupo e identificar todos os participantes envolvidos. A execução das operações nesta fase sinaliza um esforço para coletar novos elementos materiais – como equipamentos eletrônicos, documentos e registros digitais – que possam contribuir para uma melhor compreensão da estrutura e do alcance das atividades ilícitas da organização sob investigação. Com dez fases já concluídas, a Operação Compliance Zero demonstra ser um processo prolongado, ainda longe do seu desfecho.

