O senador Romário (PL-RJ) teve os valores que receberia da CazéTV pela cobertura da Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos, bloqueados por uma decisão da 4ª Vara Cível da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
Essa ação foi determinada como parte de um processo de cumprimento de sentença que tramita sob sigilo judicial e tem como objetivo liquidar uma dívida de R$ 32,4 milhões com a empresa Koncretize Projetos e Obras Ltda.
Além do bloqueio dos pagamentos, a decisão judicial também requer que a CazéTV apresente à Justiça todos os contratos assinados com Romário, incluindo propostas comerciais, notas fiscais, recibos e comprovantes de pagamento.
A emissora deverá esclarecer se a contratação foi feita diretamente ou através de empresas parceiras envolvidas na transmissão do evento, identificando quem é o responsável pelos pagamentos nesse caso.
Essa exigência evidencia a falta de clareza sobre a estrutura contratual relacionada à participação do senador na cobertura esportiva, levantando preocupações sobre a transparência dos acordos financeiros envolvendo um agente público.
A origem da dívida milionária
A disputa financeira tem suas raízes em um conflito antigo. A Koncretize foi contratada para gerenciar o estacionamento do Café Onze Bar, onde Romário era sócio, utilizando elevadores de veículos.
Com o fechamento do bar em 2011, surgiram desavenças sobre a remoção dos equipamentos, resultando em uma batalha judicial. A ação foi proposta pela construtora contra Romário e uma empresa associada a ele.
Para resolver o impasse, Romário assinou um termo de confissão de dívida, cujo valor original consta como R$ 1,5 milhão em alguns registros e R$ 1,65 milhão em outros.
Tentativas feitas por Romário para anular esse documento em 2012 foram frustradas quando o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) validou o termo.
A Koncretize afirma que o acordo nunca foi cumprido. Com juros, correção monetária e outras penalidades ao longo dos anos, a dívida cresceu para os atuais R$ 32,4 milhões, quantia que a Justiça busca recuperar através do bloqueio dos bens e rendimentos do senador.
Controvérsias e o mandato de senador
O bloqueio dos pagamentos da CazéTV ocorre em um contexto polêmico que já havia colocado Romário sob críticas nas semanas anteriores. O senador fez parte da equipe responsável pela transmissão da emissora durante a Copa do Mundo de 2026 enquanto o Senado Federal estava em atividade.
Vídeos de Romário dançando em uma boate em Miami se tornaram virais nas redes sociais, aumentando as perguntas sobre sua ausência no plenário.
Diante das pressões, Romário esclareceu que participou das sessões do Senado por videoconferência e optou por não pedir licença para preservar seu direito ao voto em assuntos que julgava importantes, mencionando especificamente uma proposta para acabar com a escala 6×1.
Ele também anunciou que devolveria aos cofres públicos os salários recebidos pelo Senado nos dias dedicados às transmissões esportivas.
Anteriormente ao bloqueio dos valores referentes à CazéTV, outros bens de Romário já haviam sido penhorados pela Justiça. Entre esses bens estão um imóvel, uma lancha e um carro Porsche. Além disso, restrições foram impostas pelo sistema Renajud sobre um Audi e um Peugeot associados ao parlamentar.
Implicações e próximos passos
A decisão judicial visa dois objetivos principais: impedir que os valores destinados a Romário pela CazéTV sejam liberados antes que cheguem ao senador e mapear detalhadamente a estrutura contratual relacionada a essa contratação.
A solicitação por documentos detalhados e identificação de possíveis empresas parceiras sugere que há suspeitas sobre o fluxo dos pagamentos não ocorrendo diretamente entre a emissora e o senador. Identificar essa conexão é essencial para garantir que a sentença seja cumprida efetivamente.

