O Coletivo Noroest apresenta nesta sexta-feira (14) o espetáculo “Manifesto de Concreto”, que ocorrerá no Teatro Paulo Eiró, localizado em Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo. A performance está agendada para as 20h e a entrada é gratuita.
Este trabalho artístico amalgama dança, teatro e circo, revisitando a Greve dos Queixadas, uma das mobilizações trabalhistas mais significativas do Brasil e um marco na história do bairro de Perus, na Zona Noroeste da cidade.
Por meio da memória local, a apresentação busca estabelecer um diálogo entre as batalhas dos trabalhadores do passado e as dificuldades que os moradores das áreas periféricas enfrentam nos dias atuais. O espetáculo investiga as interações entre corpo, território e memória, destacando como experiências coletivas podem ser transmitidas através das gerações.
Concreto como símbolo
No contexto de “Manifesto de Concreto”, o material que predominou na paisagem de Perus assume múltiplas interpretações. O concreto é associado às fábricas que moldaram o bairro, às ruas que conectam os cidadãos e aos muros que simbolizam desigualdades e limitações no acesso a oportunidades.
No palco, os intérpretes utilizam seus corpos para representar marcas, cicatrizes e táticas desenvolvidas para enfrentar os desafios diários. A obra também aborda o conceito de “sevirologia”, que se refere à habilidade de continuar avançando, reinventar caminhos e descobrir alternativas frente às desigualdades.
A proposta da montagem é resgatar episódios da história local não apenas como um registro do passado, mas também como uma ferramenta para refletir sobre o presente e o futuro. O espetáculo ressalta a relevância dos saberes populares, da cultura periférica e da organização coletiva na formação da identidade comunitária.
Greve dos Queixadas
A Greve dos Queixadas serve como o ponto inicial da narrativa histórica apresentada na montagem. A mobilização dos trabalhadores das fábricas de cimento em Perus tornou-se um ícone de organização sindical e resistência operária.
Através dessa rememoração, o Coletivo Noroest busca conectar a memória desse evento com as lutas contemporâneas enfrentadas pelas periferias brasileiras. A intenção é evidenciar como experiências de resistência permanecem vivas na identidade de um território e influenciam novas gerações.
Com duração de 50 minutos e classificação livre, “Manifesto de Concreto” oferece uma perspectiva poética e política sobre memória e resistência. A montagem defende que preservar histórias coletivas constitui uma forma poderosa de fortalecer comunidades.
O projeto “Manifesto de Concreto – Território de Saberes” foi selecionado na 9ª edição do Programa de Fomento à Cultura da Periferia da Cidade de São Paulo, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa.
Temporada gratuita
Pós-estreia no Teatro Paulo Eiró, o espetáculo será apresentado no CEU Perus, nos dias 25 e 28 de agosto, sempre às 20h. Em setembro, a montagem estará no Centro Cultural da Penha no dia 3, também às 20h, retornando ao CEU Perus no dia 4 com sessões programadas para às 10h e 14h.
A apresentação no Teatro Paulo Eiró comporta até 600 pessoas e conta com acessibilidade parcial; entretanto, não dispõe de estacionamento. Já o CEU Perus possui capacidade para 350 espectadores com acessibilidade garantida e sem estacionamento disponível. O Centro Cultural da Penha oferece lugar para 100 pessoas, com acessibilidade também sem estacionamento.
Serviço
“Manifesto de Concreto” – Coletivo Noroest
Duração: 50 minutos
Classificação: Livre
Entrada: gratuita
14 de agosto, às 20h
Teatro Paulo Eiró — Av. Adolfo Pinheiro, 765, Santo Amaro, São Paulo
25 e 28 de agosto, às 20h
CEU Perus — Rua Bernardo José de Lorena, s/n, Vila Fanton, São Paulo
3 de setembro, às 20h
Centro Cultural da Penha — Largo do Rosário, 20, Penha, São Paulo
4 de setembro, às 10h e às 14h
CEU Perus — Rua Bernardo José de Lorena, s/n, Vila Fanton, São Paulo
A direção artística fica a cargo de Igor Souza, que integra o elenco junto com Edvan Soares, Laura Berteli, Munique Tavares, Elias Soares e Bruce Cardoso.
A trilha sonora é composta por Nine Nine e Bruce Cardoso; a operação técnica do som é realizada por Nine Nine. Elves Ferreira cuida da concepção e operação das luzes. O figurino é desenvolvido pelo Coletivo Nada é Fácil em colaboração com Julia Morinaga, Keila Moreira e Elba Lacerda.
A produção executiva está sob responsabilidade de Júnior Cecon da Plural Produtora. O projeto ainda conta com parcerias entre espaços culturais locais relacionados ao território perusense como Ocupação Artística Canhoba, CMQUEIXADAS, CEU Perus, Comunidade Cultural Quilombaque e Casa do Hip-Hop Perus.

