Roque Citadini, ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) e conselheiro vitalício do Corinthians, expressou suas reservas em relação ao formato atual da Festa do Peão de Barretos. Ele trouxe à tona a história do Estádio de Rodeios, que é uma obra do renomado arquiteto Oscar Niemeyer.
Em uma postagem nas redes sociais, Citadini destacou que a festa, que segundo sua percepção hoje atrai apoiadores do bolsonarismo, ocorre em um espaço projetado por Niemeyer, um arquiteto amplamente reconhecido por sua ideologia comunista.
“Observando a Festa do Peão de Barretos, agora dominada por bolsonaristas, é importante informar esse grupo que o local foi idealizado por Oscar Niemeyer, um arquiteto comunista com grande importância histórica”, escreveu ele.
A interação de Niemeyer com o evento teve início em 1985, quando a administração da festa procurou o arquiteto para discutir a necessidade de uma estrutura maior. Na época, não havia recursos disponíveis para contratar um projeto adequado.
Aumento da capacidade do espaço
Conforme o relato, a área utilizada anteriormente tinha capacidade para aproximadamente 3 mil pessoas. A equipe organizadora explicou a Niemeyer seu desejo de expandir o espaço para acolher trabalhadores rurais, peões e boiadeiros que não tinham acesso ao evento.
Esse apelo teria tocado o coração do arquiteto. Aproximadamente duas semanas após a reunião, segundo Citadini, o escritório de Niemeyer contatou os organizadores e pediu que representantes fossem buscar o projeto desenvolvido.
A organização ficou apreensiva devido à falta de verba para arcar com os custos e à incerteza sobre quanto o arquiteto cobraria pelo trabalho. Porém, conforme Citadini relata, a surpresa foi grande ao receber o projeto: Niemeyer decidiu entregá-lo sem custo algum e transferiu os direitos ao clube encarregado da festa.
O estádio foi concebido em formato de ferradura e se tornou um dos principais ícones da Festa do Peão de Barretos.
Críticas ao perfil contemporâneo da festa
<pAo rememorar a criação do projeto, Citadini fez observações críticas sobre a atual identidade do evento. Para ele, a presença de grupos conservadores e artistas associados ao sertanejo contrasta com as raízes populares que motivaram Niemeyer na concepção do projeto.
<p“Hoje testemunhamos um evento dominado por reacionários de todos os tipos e discursos que representam o retrocesso político mais alarmante já visto no país”, declarou.
Citadini também manifestou descontentamento com a presença de indivíduos que chamou de “grã-finos de apartamento” e mencionou especificamente o cantor Gusttavo Lima como parte desse contexto.
Na visão dele, os trabalhadores rurais, que foram uma das razões apresentadas para justificar a expansão do espaço, acabaram perdendo seu papel central no evento.
Além das críticas relacionadas à política, Citadini lamentou as condições deixadas pelos frequentadores após as festividades. Segundo suas observações, há um acúmulo excessivo de lixo e sujeira, além de registros frequentes de brigas durante o evento.
Ao finalizar seu texto, ele fez uma ironia sobre um “animador de rodeio bolsonarista raiz”, sugerindo que esse indivíduo deveria reconhecer a relevância da contribuição de Niemeyer para viabilizar o espaço onde agora ocorre o evento em sua grandeza atual.
https://x.com/citadini/status/2091715107260608550

