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Aumento da cesta básica em 17 cidades faz com que famílias precisem de cinco salários mínimos para se sustentar, revela estudo do Dieese

São Carlos InformaSão Carlos Informajulho 9, 2026 984 Minutes read0

Em junho de 2026, o preço da cesta básica teve um aumento significativo em 17 das 27 capitais do Brasil, conforme revela a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, conduzida mensalmente pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em colaboração com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Aumento nos preços da cesta básica em diversas capitais

São Paulo se destacou como a capital com o maior custo absoluto, alcançando R$ 965,47. Por sua vez, Boa Vista foi a cidade que apresentou o maior incremento percentual no mês. O estudo ainda indicou que para garantir uma vida digna a uma família de quatro pessoas, seria necessário um salário mínimo de R$ 8.110,92, ou seja, cinco vezes mais que o piso atual de R$ 1.621. Isso evidencia a crescente disparidade entre os rendimentos dos trabalhadores e o valor necessário para uma alimentação adequada.

A principal causa do aumento observado em junho foi o feijão, que teve seu preço elevado em todas as capitais analisadas devido à diminuição das áreas cultivadas e às condições climáticas adversas que afetaram tanto a primeira quanto a segunda safra. Além do feijão, outros itens também tiveram alta de preços, incluindo arroz agulhinha, carne bovina de primeira, batata, tomate e leite integral. Em contrapartida, produtos como café em pó, açúcar e óleo de soja apresentaram queda nos preços durante o mesmo período.

Entre as capitais mais impactadas pelos aumentos, Boa Vista liderou com um crescimento de 3,28%, seguida por Palmas (3,01%), Rio Branco (2,20%) e Porto Alegre (2,18%). Em termos absolutos, São Paulo continuou sendo a capital com a cesta básica mais cara do Brasil ao final de junho, seguida por Cuiabá (R$ 937,93), Rio de Janeiro (R$ 920,94) e Florianópolis (R$ 918,42).

Os valores mais baixos foram verificados em Aracaju (R$ 630,40), São Luís (R$ 654,73), Maceió (R$ 671,41) e Natal (R$ 686,07). O Dieese observa que as composições das cestas básicas variam significativamente nas regiões Norte e Nordeste em comparação com o Sul e Sudeste. No acumulado dos primeiros seis meses do ano, todas as capitais apresentaram elevações nos preços da cesta básica; essas variações oscilaram entre 4,02% em São Luís e impressionantes 21,48% em Fortaleza.

Salário mínimo inadequado para cobrir necessidades fundamentais

Considerando os custos da cesta básica em São Paulo para junho de 2026, o Dieese estimou que um salário mínimo ideal para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 8.110,92. Isso equivale a cinco vezes o salário mínimo vigente de R$ 1.621.

Esse cálculo baseia-se na determinação constitucional que estipula que o salário mínimo deve ser suficiente para cobrir gastos com alimentação, moradia, saúde e outras necessidades essenciais. A diferença entre o valor necessário e o salário atual não é uma novidade; pelo contrário: ela vem se ampliando ao longo do tempo. Em junho de 2025, quando o piso salarial era de R$ 1.518, estimava-se que um salário mínimo adequado seria de R$ 7.416,07 — cerca de 4,89 vezes o valor então vigente.

Essa discrepância tem um reflexo direto no orçamento dos trabalhadores brasileiros. Em junho de 2026, os trabalhadores comprometeram cerca de 52,02% do rendimento líquido — após os deduzidos descontos da Previdência Social — apenas para adquirir os produtos da cesta básica.

Esse percentual é superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior (51,13%), indicando que mais da metade dos rendimentos vai diretamente para alimentação básica sem sobrar recursos para moradia ou outras necessidades básicas reconhecidas pela Constituição.

A inflação alimentar e seu impacto no poder aquisitivo

A elevação constante nos preços de itens como feijão e carne não é um fenômeno isolado deste mês; trata-se do resultado acumulado de uma crise que deteriora gradualmente o poder aquisitivo das famílias trabalhadoras.

Quando mais da metade do salário líquido já está comprometido com alimentação essencial, qualquer novo aumento nos preços pode forçar famílias inteiras a enfrentar decisões difíceis entre comprar comida ou pagar aluguel ou medicamentos.

A análise regional dos preços é crucial. Embora os valores menores observados nas regiões Norte e Nordeste possam sugerir uma situação menos crítica nessas áreas à primeira vista, a composição diferenciada das cestas alimentares indica um padrão alimentar já restrito nessas localidades. Assim sendo, o impacto percentual no orçamento familiar pode ser tão severo quanto ou até pior do que nas capitais das regiões Sul e Sudeste. Uma cesta menor não implica necessariamente numa cesta que atenda adequadamente às necessidades nutricionais.

A dependência crônica por produtos como feijão — cuja produção varia conforme as condições climáticas e decisões agrícolas — expõe uma fragilidade estrutural na segurança alimentar brasileira.

A diminuição da área cultivada e os desafios climáticos enfrentados nas safras deste ano não são novidades para quem acompanha a agricultura nacional; isso torna ainda mais urgente discutir políticas voltadas à promoção da produção destinada ao mercado interno e à estabilização dos preços dos alimentos essenciais. Enquanto essa pauta não avançar efetivamente na agenda política do país; quem arca com os custos são os trabalhadores que frequentemente se veem sem recursos suficientes ao final do mês.

Tags
cesta básicaDieeseeconomiainflação dos alimentossalário mínimo
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