Na quinta-feira (28), o deputado federal e pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) participou do Fórum Onze e Meia, onde discutiu a recente aprovação da PEC que extingue a escala 6×1 na Câmara dos Deputados. A proposta foi impulsionada pela deputada federal Erika Hilton (SP) e pelo vereador Rick Azevedo (RJ), ambos do PSOL, além de contar com o apoio de outros membros da bancada.
O parlamentar expressou sua satisfação com a conquista da esquerda e dos trabalhadores, ressaltando, no entanto, que o campo democrático precisa manter o foco na busca pela escala 4×3. Esse movimento em prol da redução da jornada de trabalho ganhou força nos últimos meses. Segundo ele, essa luta representa uma “batalha histórica para combater e superar o sistema capitalista que gera adoecimento“.
“Não podemos desviar o olhar da 4×3. Os argumentos continuam relevantes e se adaptam ao tempo atual. Assim, celebramos essa vitória com responsabilidade e coerência, mas é preciso lembrar que temos um desafio histórico diante de nós, que é enfrentar um sistema que explora a vitalidade dos trabalhadores”, afirmou Vieira.
O deputado enfatizou a importância de celebrar as conquistas atuais, mas também de continuar lutando por mais direitos e pela quebra de lógicas exploratórias no futuro.
“É fundamental ter os pés no chão, reconhecer as vitórias possíveis em cada etapa e nutrir um projeto audacioso para a transformação estrutural da sociedade. Devemos avançar com responsabilidade, passo a passo, sempre buscando ir além do que conquistamos até agora”, completou.
A liderança de Erika e Rick provoca reações na extrema direita
Em sua fala, Vieira também destacou o simbolismo da iniciativa liderada por Erika Hilton e Rick Azevedo. O fato de ambos serem negros e pertencentes à comunidade LGBTQIAPN+ intensificou a hostilidade da extrema direita em relação à pauta. Para ele, essa situação evidencia um aumento da raiva entre grupos extremistas.
“A presença deles gera desconforto para esses grupos porque Érika é uma mulher trans e Rick um homem gay. Isso ativa uma raiva enraizada em discursos patriarcais, misóginos e LGBTfóbicos”, observou o deputado.
Por outro lado, Vieira expressou satisfação ao perceber que a pauta surge dessas vivências diversas: “isso reflete uma esquerda popular engajada com a classe trabalhadora, discutindo questões econômicas e sociais de maneira inclusiva“, disse ele.
“Essa é uma esquerda que debate classe ao mesmo tempo em que confronta opressões históricas. Precisamos dialogar com a classe trabalhadora sem perder de vista nossa luta central contra o capitalismo e enfrentar todas as formas de opressão que afetam nosso povo”, concluiu Vieira.
A questão da 6×1 promove diálogo com evangélicos
No encontro, Vieira analisou como a proposta para abolir a escala 6×1 facilitou um diálogo entre setores evangélicos e a esquerda. Ele reconheceu que a luta política ainda é complexa devido ao impacto negativo do bolsonarismo no meio evangélico nos últimos anos, mas observou que essa pauta criou oportunidades para escuta mútua.
Ele argumentou que sua atuação tem se concentrado em mostrar como a diminuição das horas de trabalho poderia beneficiar não apenas evangélicos, mas todos os grupos religiosos ao permitir mais tempo para atividades comunitárias.
“Um argumento que utilizei frequentemente foi sobre como o tempo dedicado à igreja é essencial. A dimensão comunitária é parte fundamental da vida religiosa – falo isso pela minha própria experiência – e atualmente a escala 6×1 dificulta esse convívio”, explicou o deputado.

