Mario Frias ficou conhecido pelo grande público ainda jovem, quando interpretou personagens em novelas da televisão brasileira, especialmente em Malhação. Décadas depois, deixou a carreira artística para entrar na política e se tornou um dos nomes mais próximos do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nesta quinta-feira (10), o deputado federal pelo PL-SP voltou ao centro do noticiário ao ser alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga o financiamento de Dark Horse, filme sobre a trajetória política de Bolsonaro.
A Operação Make Up, realizada pela PF e pela Controladoria-Geral da União (CGU), cumpre 49 mandados de busca e apreensão contra 22 alvos em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. Além de Frias, a produtora Karina Gama também está entre os investigados.
A apuração, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), investiga suspeitas de irregularidades envolvendo recursos públicos, incluindo valores provenientes de emendas parlamentares, que teriam sido destinados a entidades e empresas ligadas à produção do filme.
Da televisão à política bolsonarista
Antes de se tornar uma figura conhecida no campo político conservador, Mario Frias construiu sua carreira como ator. Ele ganhou projeção nacional nos anos 1990 e 2000, especialmente como protagonista da novela juvenil Malhação, da TV Globo.
O sucesso na novela juvenil abriu caminho para outros trabalhos na televisão. Frias participou de produções como As Filhas da Mãe, O Quinto dos Infernos e O Beijo do Vampiro, todas da Globo. Em Senhora do Destino, exibida em 2004, chamou atenção ao interpretar Thomas Jefferson Bezerra de Souza, um deputado corrupto dentro da trama.
Depois da Globo, passou por outras emissoras. Na Record, atuou em novelas como Os Mutantes, Bela, a Feia e A Terra Prometida. Também assumiu funções de apresentador, comandando programas como O Último Passageiro, na RedeTV!, e Tô de Férias, no SBT
Com o passar dos anos, aproximou-se de pautas conservadoras e passou a defender publicamente o governo Bolsonaro. Em 2020, foi nomeado em cerimônia secreta como secretário especial da Cultura, cargo que ocupou até 2022.
Sua passagem pela pasta foi marcada por conflitos com artistas, críticas à política cultural do governo e forte alinhamento ao discurso bolsonarista sobre o setor. Após deixar o cargo, Frias disputou uma vaga na Câmara dos Deputados e foi eleito deputado federal pelo PL de São Paulo.
Relação com “Dark Horse”
O nome de Mario Frias aparece na investigação sobre Dark Horse, produção cinematográfica que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro. Ele é apontado como um dos envolvidos no projeto, ao lado da produtora Karina Gama.
A PF investiga se recursos públicos foram utilizados de maneira irregular no financiamento da obra. Segundo a corporação, o inquérito apura um suposto esquema envolvendo agentes públicos e privados, com direcionamento de valores para empresas subcontratadas sem comprovação da realização dos serviços.
Os investigadores apontam suspeitas de crimes como peculato, lavagem de dinheiro, falsidade documental, organização criminosa e irregularidades em contratos.
O dinheiro privado e a investigação sobre Vorcaro
Além da frente conduzida por Flávio Dino, o financiamento de Dark Horse também é analisado em outra investigação no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça.
Essa segunda apuração acompanha o caminho de recursos privados ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Na véspera da operação da PF, Mendonça homologou o acordo de colaboração premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”.
Segundo informações apresentadas na investigação, Mineiro relatou ter realizado repasses para o fundo norte-americano Havengate após pedidos de Vorcaro. Os valores são analisados pelos investigadores para esclarecer a origem e a circulação dos recursos usados na produção do filme.

