Com início em 1º de maio de 2026, a China implementará uma tarifa zero para produtos provenientes de 53 países africanos com os quais possui relações diplomáticas, estendendo essa vantagem a todos os seus aliados no continente africano.
Nos últimos cinco anos, o comércio entre a China e a África alcançou cifras recordes, superando pela primeira vez a marca de US$ 300 bilhões em 2025. A China se mantém como o principal parceiro comercial da África há 17 anos consecutivos. No primeiro trimestre deste ano, observou-se um aumento de 23,7% nas trocas comerciais bilaterais, com as importações da África crescendo 14,6%, evidenciando a robustez das relações comerciais sino-africanas.
Chen Yusong, vice-diretor do Departamento de Assuntos da OMC no Ministério do Comércio da China, destacou que as tarifas anteriores sobre produtos como o cacau da Costa do Marfim e de Gana variavam entre 8% e 22%. Já os impostos sobre café e abacate do Quênia eram de até 30% e 20%, respectivamente. Para os cítricos e o vinho tinto da África do Sul, as taxas variavam entre 12% e até 20%. Com a nova medida a ser implementada após o dia 1º de maio, esses produtos terão tarifa isenta, desde que cumpram as normas de origem, inspeção e quarentena.
A isenção tarifária também tem o potencial de estimular investimentos na África, incluindo aportes chineses. Isso resultará em um influxo de capital, tecnologia avançada, equipamentos modernos e conhecimento em gestão. Além disso, permitirá que os produtos africanos sejam processados localmente antes de serem enviados para o mercado chinês.
Além desse impacto econômico imediato, a tarifa zero deverá favorecer a diversificação das exportações africanas, aumentando seu valor agregado e aprimorando a estrutura das exportações. Essa iniciativa também promete expandir a colaboração entre China e África em setores como comércio de serviços, economia digital, indústrias sustentáveis e desenvolvimento sustentável, contribuindo para acelerar o processo de modernização do continente.
Tradução: Zhao Yan
Revisão: Denise Melo

