Uma história sobre afeto, liberdade e resistência, ambientada no interior do Ceará, será a representante brasileira na corrida pelo Oscar 2027. A Academia Brasileira de Cinema anunciou nesta quarta-feira (16) a escolha de “Feito Pipa”, dirigido por Allan Deberton, para disputar uma indicação na categoria de Melhor Filme Internacional.
A decisão foi tomada por uma comissão formada por 15 integrantes. O longa foi escolhido entre seis finalistas e agora será inscrito junto à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, responsável pelo Oscar.
Ser o representante brasileiro, não significa que “Feito Pipa” já esteja indicado ao Oscar. O filme disputará espaço com produções enviadas por dezenas de países. A Academia de Hollywood selecionará primeiro uma lista de 15 títulos e, posteriormente, os cinco indicados à estatueta.
Infância queer no interior do Ceará
Carta do filme Feito Pipa/Imagem: Wikipedia
“Feito Pipa” acompanha Gugu, interpretado por Yuri Gomes, um menino de 12 anos apaixonado por futebol, que também gosta de dançar, usar maquiagem e pintar as unhas. Ele vive com a avó Dilma, papel de Teca Pereira, uma professora aposentada que o criou em um ambiente de afeto, segurança e liberdade.
A vida construída pelos dois começa a mudar quando a saúde de Dilma se fragiliza e surge a possibilidade de Gugu precisar morar com o pai, Batista, interpretado por Lázaro Ramos. A relação entre pai e filho é atravessada por ausências, expectativas e conflitos em torno da “maneira livre” de como o menino foi criado.
Gravado em Quixadá, no Ceará, o filme coloca no centro da tela uma infância queer vivida longe das grandes capitais. O interior cearense aparece não apenas como cenário, mas como espaço de vida, conflito, acolhimento e construção de identidade.
A relação entre avó e neto conduz boa parte da narrativa. É no afeto de Dilma que Gugu encontra proteção e liberdade para ser quem é, diferente das expectativas impostas pelos adultos.
Além de Yuri Gomes, Teca Pereira e Lázaro Ramos, o elenco reúne Carlos Francisco e Georgina Castro. A produção é da Deberton Filmes em parceria com a Biônica Filmes.
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Premiado em Berlim
O representante brasileiro chega à corrida pelo Oscar respaldado por uma trajetória de destaque em festivais internacionais.
Sua estreia mundial ocorreu em fevereiro de 2026, no Festival Internacional de Cinema de Berlim. Na mostra Generation Kplus, “Feito Pipa” conquistou dois dos principais reconhecimentos: o Urso de Cristal de Melhor Filme e o Grande Prêmio do Júri Internacional.
No Festival de Gramado, o longa recebeu quatro Kikitos: Melhor Direção para Allan Deberton, Melhor Atriz para Teca Pereira, Melhor Ator Coadjuvante para Lázaro Ramos e Melhor Filme pelo Júri Popular. Yuri Gomes também recebeu uma menção honrosa por sua atuação.
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A produção passou ainda pelos festivais de Cartagena e Guadalajara, onde também recebeu prêmios, ampliando sua circulação internacional antes mesmo do início da campanha pelo Oscar.
Filme foi escolhido entre seis finalistas
Quinze produções nacionais estavam habilitadas para participar da seleção brasileira. Na primeira etapa, seis chegaram à lista final.
- “100 Dias”, de Carlos Saldanha;
- “A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capai;
- “A Natureza das Coisas Invisíveis”, de Rafaela Camelo;
- “Nosso Segredo”, de Grace Passô;
- “Vicentina Pede Desculpas”, de Gabriel Martins;
- e “Feito Pipa”, de Allan Deberton.
Com a escolha, uma história sobre uma criança queer criada pela avó no interior do Ceará passa a representar o Brasil na corrida por uma vaga em Hollywood.
O próximo desafio será chegar à lista de 15 pré-selecionados da categoria de Melhor Filme Internacional e, depois, ao grupo dos cinco indicados ao Oscar.
“Feito Pipa” estreia nos cinemas brasileiros em 5 de novembro de 2026. A cerimônia da 99ª edição do Oscar está marcada para 14 de março de 2027.

