Recentemente, o Brasil obteve cinco medalhas na edição de 2026 do World Beer Cup (WBC), conhecido como a Copa do Mundo das Cervejas, realizada em abril na Filadélfia, Pensilvânia. Este concurso atraiu mais de 8 mil amostras provenientes de 50 países diferentes. Comemorando três décadas desde sua fundação, esta edição histórica destacou as cervejarias brasileiras, que conquistaram três medalhas de ouro, uma de prata e uma de bronze.
Dentre os estados que se sobressaíram, Santa Catarina e o interior paulista demonstraram que a combinação de inovação e ingredientes locais é fundamental para alcançar o sucesso internacional.
A cervejaria Daoravida, localizada em Campinas (SP), foi um dos grandes destaques ao levar para casa a medalha de ouro na categoria Wood- and Barrel-Aged Strong Beer com sua cerveja Terminus 2026. O produto é amadurecido em barris de castanheira brasileira, enfatizando a identidade nacional da marca. Criada por Wagner Falci e Michele Gimenez, a Daoravida começou com produções caseiras e se tornou um respeitado brewpub, focando em receitas que desafiam o paladar através da complexidade e do uso de ingredientes nativos.
A Cervejaria Stannis, situada em Jaraguá do Sul (SC), também brilhou ao conquistar o ouro com sua Kaptain Lisa na categoria Historical Beer. Este rótulo representa uma Adambier, um estilo clássico da Alemanha que quase foi esquecido, reconhecido pelo seu alto teor alcoólico (9%) e sabores escuros e complexos. Desde 2011 no mercado, a Stannis é famosa por sua forte ligação com a cultura local catarinense, oferecendo uma experiência gastronômica sofisticada que transforma o conceito tradicional de pub europeu.
Por sua vez, a Cervejaria Unika, localizada em Rancho Queimado (SC), trouxe para casa duas medalhas: uma de ouro e outra de prata. A medalha dourada foi conquistada pela Catharina Sour Caju & Pitanga na categoria Experimental Beer, enquanto a The Famous Gose – Morango e Pitanga garantiu a prateada. Fundada por entusiastas da cerveja da região serrana catarinense, a Unika se destaca pela consistência técnica e pureza dos insumos utilizados, solidificando o estado como um dos principais polos de premiações nesta edição do WBC.
A medalha de bronze foi conquistada pela cervejaria paranaense 277 Craft Beer, situada em Foz do Iguaçu. O prêmio foi obtido na categoria Wood-Aged Beer com seu rótulo Frutas Vermelhas 277. Com o objetivo de elevar o nível das cervejas artesanais na região da tríplice fronteira, a 277 tem se especializado em experimentações com madeira, trazendo frescor e sofisticação à cena cervejeira paranaense.
Com esses resultados expressivos, o Brasil se firmou como o quinto país em número de inscrições e um dos mais eficazes em conversão de prêmios. Isso evidencia que a “assinatura sensorial” brasileira — marcada por suas madeiras e frutas — é atualmente uma das mais respeitadas entre os críticos internacionais.
O significado da vitória no World Beer Cup
O World Beer Cup é considerado a competição mais exigente e renomada do mundo das cervejas, organizado pela Brewers Association. Ao contrário de outros festivais, as medalhas — ouro, prata e bronze — são concedidas apenas quando os jurados atestam que as cervejas atingiram um padrão técnico absoluto; caso contrário, uma categoria pode não ter vencedor.
Receber uma medalha de ouro no WBC representa muito mais do que um troféu; é um reconhecimento de que aquela cerveja representa com excelência técnica e sensorial seu estilo no mundo todo. Essa conquista funciona como uma “vitrine” que coloca a cervejaria no mapa global para investimentos e turismo relacionado à cerveja.

