Cláudio Castro (PL), que já foi governador do Rio de Janeiro, decidiu abandonar sua candidatura ao Senado após novas informações surgirem sobre suas ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, que está detido por ser o líder da maior fraude bancária registrada no Brasil. O ex-governador comunicou sua escolha ao presidente do PL, Valdemar da Costa Neto.
É importante mencionar que, embora Castro tenha mantido sua candidatura até agora, ele se encontra inelegível devido a um abuso de poder político durante as eleições de 2022.
Luxos proporcionados por Vorcaro a Cláudio Castro: do bife de ouro ao uísque caríssimo
Um dos pontos destacados pela Polícia Federal envolve Cláudio Castro em conversas nas quais ele expressa gratidão a Daniel Vorcaro por experiências luxuosas em Nova York, enquanto o Rioprevidência realizava investimentos bilionários com o banco. As investigações revelaram que esses mimos incluíram um jantar com bife folheado a ouro no renomado restaurante do chef Salt Bae e uma degustação exclusiva de uísque avaliada em aproximadamente R$ 5 milhões.
As informações foram divulgadas em reportagens que abordam a operação investigativa relacionada a aplicações duvidosas feitas pelo Rioprevidência no Banco Master. Documentos anteriores já indicavam um estreito relacionamento pessoal entre Cláudio Castro e Daniel Vorcaro durante o período em que os fundos previdenciários estavam sendo direcionados ao banco privado.
Este novo conjunto de evidências reforça a investigação sobre a conexão entre Cláudio Castro, Daniel Vorcaro e o Banco Master, bem como os investimentos feitos pelo Rioprevidência. Na oitava fase da Operação Compliance Zero, estão sendo analisados cerca de R$ 3 bilhões transferidos pelo fundo previdenciário fluminense para produtos financeiros vinculados ao banco.
Agradecimentos de Cláudio Castro após jantar luxuoso em Nova York
Um dos eventos mencionados pela Polícia Federal ocorreu em maio de 2023, em Nova York. De acordo com as apurações, Daniel Vorcaro compartilhou com Cláudio Castro o endereço do Nusr-Et Steakhouse, onde são servidos cortes de carne cobertos de ouro.
Após a refeição requintada, Cláudio Castro enviou uma mensagem agradecendo:
Amigo, foi uma experiência incrível. Muito obrigado.
A conta do jantar ultrapassou US$ 13 mil, equivalendo a mais de R$ 60 mil. A PF aponta que Vorcaro arcou com esse valor. Um minuto antes da mensagem de gratidão enviada por Castro, Vorcaro recebeu uma notificação de cobrança do restaurante.
Poucos meses depois, em novembro de 2023, o Rioprevidência começou a fazer investimentos nas Letras Financeiras do Banco Master. Inicialmente foram R$ 40 milhões seguidos por um novo aporte de R$ 80 milhões. A investigação já indicou que há uma análise sobre como os recursos públicos do estado foram direcionados para produtos associados ao Banco Master.
Jantar com bife de ouro registrado nas mensagens entre Vorcaro e Castro
Outra refeição no mesmo restaurante foi mencionada nas comunicações trocadas em maio de 2024. Durante uma conversa com um assistente, Daniel Vorcaro solicitou um prato especial para Cláudio Castro.
“Pede aquela carne de ouro ou alguma especial pra ele ir.”
A equipe de Vorcaro também informou que o próprio Salt Bae estaria presente e poderia visitar a mesa onde Cláudio Castro estava sentado. Ao receber as informações sobre o encontro, o ex-governador respondeu à mensagem:
“Você não existe.”
Esse episódio do bife folheado a ouro é apenas mais um entre várias interações privadas registradas pela PF entre Cláudio Castro e Daniel Vorcaro no Rio, São Paulo e Nova York. Informações anteriores também mostraram que o Banco Master recebeu verbas significativas do governo fluminense coincidentemente no mesmo dia em que ocorriam eventos com ambos os personagens.
Degustação exclusiva precedeu investimento significativo do Rioprevidência
A Polícia Federal também menciona uma degustação diferenciada de uísque em Nova York, limitada a dez convidados. De acordo com os investigadores, este evento teve custo superior a US$ 1 milhão (aproximadamente R$ 5 milhões) e foi financiado por Daniel Vorcaro.
Cláudio Castro confirmou sua presença na degustação através de mensagem enviada ao banqueiro. No dia seguinte à degustação, conforme apurado pela investigação, o Rioprevidência realizou um investimento no valor de R$ 80 milhões no Banco Master. Outros dois aportes subsequentes ocorreram na sequência: R$ 80 milhões e R$ 70 milhões.
A sequência desses jantares e viagens sugere uma relação estreita entre o ex-governador e o dono do Banco Master durante um período crítico em que os recursos previdenciários estavam sendo aplicados na instituição financeira privada. Contudo, as mensagens referentes ao bife folheado a ouro e ao uísque não fazem menção direta ao Rioprevidência.
A defesa refuta acusações sobre vínculos impróprios
A equipe jurídica de Cláudio Castro nega qualquer tipo de relação indevida com Daniel Vorcaro. Os advogados alegam que as interações ocorreram dentro do contexto oficial e institucional ou durante encontros sociais relacionados ao desempenho da função pública, sem nenhum favorecimento ao Banco Master.
A defesa ainda afirma que não houve custeio das despesas pessoais ou viagens realizadas por Cláudio Castro por parte de Daniel Vorcaro e esclarece que o ex-governador não participava das decisões técnicas relacionadas aos investimentos feitos pelo Rioprevidência.
No centro das investigações da Operação Compliance Zero está Daniel Vorcaro, que é alvo das apurações relacionadas a crimes contra o sistema financeiro e fraudes envolvendo recursos públicos e privados vinculados ao Banco Master. A PF está focando na ligação entre as reuniões entre o ex-governador e o banqueiro e os enormes aportes realizados pelo Rioprevidência.
Mendonça aponta “vínculo pessoal estreito” entre Cláudio Castro e Daniel Vorcaro
Em decisão autorizando ações na oitava fase da Operação Compliance Zero – incluindo mandados de busca na residência do ex-governador Cláudio Castro na Barra da Tijuca – o ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal (STF) destaca que havia “vínculo pessoal estreito” entre Castro e Daniel Vorcaro.
“A atuação do ex-Governador não se restringiu apenas a contatos institucionais; envolveu um relacionamento pessoal próximo com o controlador do Banco Master, caracterizado por encontros frequentes, inclusive fora do país e custeados pelo banqueiro , coincidindo temporalmente com os aportes bilionários do Rioprevidência”, ressalta Mendonça.
O ministro acrescenta ainda que “este relacionamento teria permitido alinhar politicamente questões necessárias para liberar os investimentos além da nomeação estratégica dos dirigentes-chave da RioPrevidência (Presidência e Diretoria). Essas ações garantiram decisões acerca da aplicação dos recursos previdenciários fora das normas regulatórias vigentes.”
As novas revelações sobre os encontros pessoais entre Daniel Vorcaro e Cláudio Castro acontecem após gravações relacionadas à visita feita por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao banqueiro; Flávio teria prometido cerca de US$ 24 milhões para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro (PL). Ao menos US$ 10 milhões (aproximadamente R$ 61 milhões) teriam sido depositados nos Estados Unidos em um fundo gerenciado por Paulo Calixto, advogado associado a Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
A decisão também menciona conversas acessadas no celular de Vorcaro sugerindo que certas liberações financeiras estavam condicionadas à aproximação política com o ex-Governador estadual.
Conforme informações obtidas pela Polícia Federal, cerca de R$ 3 bilhões teriam sido transferidos para o grupo Master por parte de Cláudio Castro provenientes principalmente dos recursos administrados pela Rioprevidência – fundo responsável pelos benefícios para aproximadamente 235 mil aposentados estaduais.
Na decisão judicial apresentada pelo ministro Mendonça constam provas coletadas pelos investigadores incluindo “mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro; cronologia dos encontros; documentação administrativa da RioPrevidência; registros relacionados aos credenciamentos; auditorias feitas pelo TCE/RJ; além dessas evidências apontando decisões sucessivas contrárias às políticas regulamentares.”
“A coleta desses documentos digitais é imprescindível para validar as conexões entre os envolvidos bem como identificar outros participantes nas transações irregulares,” finaliza Mendonça sobre a importância dessa preservação imediata das provas para eficácia na investigação considerando tratar-se também da apuração contra organização criminosa”.
Leia aqui na íntegra a decisão proferida por Mendonça referente à ação contra Cláudio Castro

