Na quarta-feira (27), a Câmara dos Deputados aprovou, em duas votações, a proposta que extingue a jornada 6×1 e estabelece um limite de 40 horas semanais de trabalho. A proposta agora segue para o Senado e foi recebida com entusiasmo por grupos da esquerda, que veem nela uma conquista significativa para o governo Lula, especialmente após diversas dificuldades enfrentadas nos últimos meses devido à oposição do Centrão e da extrema direita.
Em entrevista ao Jornal da Fórum, o cientista político Darlan Montenegro analisou que essa votação marca um novo capítulo na disputa política do país, pois representa um avanço na luta por direitos em um contexto de 30 anos de retrocessos nas leis trabalhistas no Brasil. “É uma vitória do presidente Lula, do governo, e uma conquista significativa para a esquerda de modo geral”, afirmou.
“A eliminação da jornada 6 por 1 é uma conquista histórica, pois visa a afirmação dos direitos trabalhistas que foram severamente reduzidos nos últimos 10, 15, 20 ou até 30 anos. Por isso, essa votação é um marco importante”
Ele mencionou que o PL tentou, até o último momento, argumentar que a nova medida teria consequências negativas para a economia, mas não conseguiu consolidar sua narrativa. “Quando se tornou evidente que a população apoiava amplamente o fim da jornada 6 por 1 e que as articulações políticas estavam se movendo em direção à aprovação, eles começaram a inventar essa retórica de defesa dos trabalhadores. O PL se dividiu e não conseguiu se alinhar com a demagogia criada nos momentos finais. Isso gerou tensão interna”, disse Montenegro.
E quanto ao Senado?
De acordo com o especialista, a votação no Senado deve encontrar menos resistência do que a oposição tenta mostrar publicamente. Ele relatou uma movimentação intensa de empresários em Brasília e acredita que a reação do PL à proposta resultou em desgaste político. “O PL está em um estado de desespero”, afirmou. A expectativa é que haja mais uma derrota para a oposição na casa legislativa.
“Talvez isso possa fazer com que ele amoleça”, comentou sobre a atitude de Davi Alcolumbre em relação ao assunto. O cientista político também associou o comportamento do presidente do Senado a considerações eleitorais no Amapá e à situação política local, especialmente diante das pressões oriundas das operações da Polícia Federal e das declarações de Lula sobre as consequências do episódio envolvendo o Senado.
Montenegro destacou ainda que Jocildo Lemos, ex-presidente da ANPREV, foi tesoureiro da campanha de Alcolumbre ao Senado e posteriormente indicado pelo senador para liderar o fundo previdenciário do Amapá. Além disso, o irmão do senador estava no conselho fiscal da instituição. “Ele pode acordar um dia com a Polícia Federal arrombando sua porta, mesmo sendo presidente do Senado”, disse. “Todos vão apoiar isso. Você percebe por que o PL está adotando essa postura? É porque no Senado será uma nova derrota”, comentou sobre o fim da jornada 6×1.
Desgaste da direita após encontro de Flávio Bolsonaro com Trump
A visita de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos e sua tentativa de estreitar laços com Donald Trump foram analisadas pelo cientista político. Segundo sua avaliação, essa iniciativa teve um impacto menor do que se esperava inicialmente. O episódio acabou revelando mais vulnerabilidades do que força política. “Ele saiu muito pior do que pretendia”, destacou. Além disso, enfatizou que Trump não demonstra interesse em entrar em conflito direto com Lula neste momento.
“Parece claro que Trump não deseja entrar em confronto com Lula agora”, comentou, acrescentando que o Brasil continua sendo um ator central na América Latina e Lula possui habilidade para negociar com várias lideranças internacionais. “Atualmente, Lula é indiscutivelmente o favorito”, observou, ressaltando ainda que a campanha da direita poderá ser prejudicada por escândalos e vínculos políticos futuros. Ele também relacionou os problemas enfrentados por Flávio ao cenário no Rio de Janeiro e suas conexões com Cláudio Castro. De acordo com ele, isso compromete a imagem pública de combate ao crime promovida pelo grupo. “Desmonta tudo isso? Sim! Isso enfraquece muito o palanque do Flávio no Rio para as eleições em outubro”, concluiu.

