Mark Ruffalo, amplamente reconhecido por seu papel como Hulk no cinema e por suas posições em questões sociais e políticas, está no centro de uma nova controvérsia em Hollywood. Recentemente, uma crítica feita por ele sobre a acumulação de poder na indústria do entretenimento e as relações da família que dirige a Paramount Skydance com a gigante tecnológica Oracle resultou em acusações de antissemitismo.
Em resposta às alegações, mais de 170 artistas, acadêmicos, escritores e outras personalidades públicas judias se uniram para assinar uma carta defendendo Ruffalo e questionando as acusações que lhe foram direcionadas.
Dentre os apoiadores estão figuras renomadas como Joaquin Phoenix, Joel Coen, Todd Haynes, Hannah Einbinder, Wallace Shawn e Naomi Klein.
Início da polêmica
Ruffalo é um dos diversos artistas de Hollywood que se manifestaram contra a proposta de fusão entre a Paramount Skydance e a Warner Bros. Discovery.
A transação, avaliada em aproximadamente US$ 111 bilhões, une duas das maiores corporações do setor de entretenimento nos Estados Unidos e tem sido criticada pelo risco de concentração de poder na indústria.
Em agosto, o ator expressou novamente sua oposição à fusão em suas redes sociais. Na ocasião, ele também levantou questões sobre a atuação da família Ellison e mencionou a Oracle, empresa fundada pelo bilionário Larry Ellison, pai do atual CEO da Paramount Skydance, David Ellison.
A Oracle possui contratos tecnológicos com Israel, abrangendo até mesmo entidades ligadas às forças armadas do país.
Ruffalo fez uma conexão entre esses laços e o uso da tecnologia na guerra em Gaza, contestando o que considera uma concentração excessiva de poder econômico e midiático nas mãos da família Ellison.
Ele citou Safra Catz, ex-CEO da Oracle e atualmente vice-presidente-executiva da Paramount. O ator compartilhou um vídeo onde Catz comentava sobre as tecnologias fornecidas pela Oracle a Israel após os ataques ocorridos em 7 de outubro de 2023.
A acusação de antissemitismo
A Paramount reagiu publicamente às declarações do ator, expressando preocupação com o uso de “tropos antissemitas” dentro do contexto da disputa empresarial.
A acusação se concentrou especialmente nas associações feitas por Ruffalo entre os Ellison, a Oracle, Israel e a fusão proposta entre os estúdios.
Para a empresa e alguns grupos sionistas que criticaram o ator, certas associações feitas por ele perpetuariam estereótipos historicamente utilizados contra judeus (os chamados tropos), especialmente aqueles vinculados à ideia de controle e influência econômica.
Ruffalo refutou as acusações. Em sua resposta, ele afirmou que criticar o governo israelense ou contratos relacionados à tecnologia militar não é equivalente a atacar judeus.
O artista ressaltou seu respeito pela cultura judaica e enfatizou que sua crítica se direcionava às ações políticas e empresariais.
A controvérsia ganhou força devido ao histórico ativo de Ruffalo no debate sobre a situação em Gaza. Ele já havia realizado manifestações públicas em apoio aos palestinos e participado de movimentos artísticos pedindo um cessar-fogo.
No ano passado, inclusive pediu desculpas após ser criticado por afirmar que Israel estava cometendo genocídio.
Apoio ao ator
A mais recente manifestação vem de um grupo composto por mais de 170 artistas, escritores, cineastas e intelectuais judeus que assinaram uma carta aberta chamada “Enough!” (“Chega!”, em tradução livre). Os signatários consideraram as acusações contra Ruffalo como parte de uma campanha difamatória.
A carta defende que críticas às ações do governo israelense ou à atuação empresarial não devem ser imediatamente interpretadas como antissemitismo.
Os signatários argumentam que as alegações contra Ruffalo estão sendo empregadas para deslegitimar críticas válidas tanto políticas quanto empresariais.
A atriz Ilana Glazer, uma das signatárias da carta, comentou que <strong:rotular Ruffalo como antissemita apenas por questionar uma grande fusão empresarial é uma maneira perigosa de silenciar críticas legítimas.
A atuação política do ator é conhecida há muitos anos. Ele utiliza suas redes sociais para abordar questões ambientais, direitos humanos e conflitos internacionais.
Sua postura em relação ao conflito entre Israel e Hamas já gerou controvérsias anteriormente. Embora defenda os direitos dos palestinos e critique ações do governo israelense, Ruffalo também já declarou que o antissemitismo é um tipo de ódio que deve ser combatido.
Cerca de 3.500 profissionais da indústria cinematográfica já tinham se manifestado contrários à fusão, incluindo nomes como Jane Fonda.

