A cidade de Guarapuava, localizada no centro-sul do Paraná, obteve a certificação oficial de Indicação Geográfica (IG) na categoria de Indicação de Procedência (IP) para sua produção de cerveja artesanal. Essa concessão, feita pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), faz de Guarapuava a primeira localidade do Brasil a ter sua cerveja reconhecida legalmente por sua identidade, tradições e conhecimentos relacionados ao seu território.
Para os cervejeiros da região, essa conquista vai além de um simples selo no rótulo; trata-se de uma mudança significativa para a economia e o turismo local. A Associação das Cervejarias de Guarapuava (Guaracerva) celebra essa realização, pois ser pioneira na Indicação Geográfica de cerveja no Brasil destaca a qualidade das fábricas locais e valida o padrão elevado que elas têm desenvolvido ao longo dos anos.
Larissa Vier, presidente da Guaracerva, aponta que a sólida relação da região com a cultura da cevada e do malte contribuiu para esse reconhecimento. Ela menciona como um diferencial a presença das duas unidades de maltaria da Cooperativa Agrária em Guarapuava, que produzem maltes, extratos, leveduras e outros insumos essenciais para a fabricação de cerveja. “Temos uma vantagem competitiva ao contar com as matérias-primas necessárias bem ao nosso alcance”, afirma Larissa, acrescentando: “Aqui, o processo é do campo até o copo”.
Atualmente, Guarapuava abriga nove cervejarias que juntas produzem mensalmente cerca de 100 mil litros de cervejas artesanais. Essas empresas geram 150 postos de trabalho diretos e movimentam mais de R$ 2,5 milhões por mês. “Com a IG agora assegurada, temos planos para desenvolver ainda mais o turismo relacionado à cerveja e fortalecer nossa presença no mercado”, salienta Vier, sócia-proprietária da Cervejaria Água do Monge.
Da herança germânica ao maior polo malteiro do Brasil
A tradição cervejeira em Guarapuava não surgiu repentinamente. Sua história remonta à metade do século XX, influenciada pela imigração dos suábios do Danúbio — imigrantes germânicos que se estabeleceram no distrito de Entre Rios durante os anos 1950.
Esses imigrantes trouxeram consigo conhecimentos agrícolas e uma paixão pela arte da fabricação de cerveja, transformando o cenário local com o cultivo da cevada que tornaria Guarapuava a principal produtora de malte na América Latina.
A disponibilidade de matérias-primas puras e a abundância de água potável no Terceiro Planalto Paranaense criaram um ambiente propício para o desenvolvimento dessa cultura industrial.
Cervejarias artesanais pioneiras na área desempenharam um papel crucial em transformar esse legado histórico em inovações comerciais. Com a validação do INPI, as cervejarias autorizadas que cumprirem as especificações técnicas poderão exibir o selo oficial de origem, assegurando aos consumidores um produto autêntico, rastreável e intimamente ligado à história guarapuvana.

