Na noite da última quarta-feira (25), um vídeo divulgado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não apenas abalou a pré-candidatura de Flávio, seu enteado, ao cargo de Presidente, como também aprofundou a crise interna no bolsonarismo.
Vale lembrar que as ligações de Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master e preso sob a acusação de liderar a maior fraude bancária da história do Brasil, já haviam prejudicado a imagem do movimento bolsonarista que apoia sua candidatura.
Com o vídeo em que Michelle revela ter sido desqualificada e atacada por Flávio, a crise no bolsonarismo se intensificou. Influenciadores começaram a afirmar abertamente que sua candidatura está fadada ao fracasso e que ele não teria chances contra Lula nas próximas eleições.
Rodrigo Constantino, um comunicador próximo ao bolsonarismo, utilizou as redes sociais nesta quinta-feira (25) para declarar que Flávio Bolsonaro é o único pré-candidato à presidência incapaz de vencer Lula, que busca reeleição. Constantino sugere assim que o bolsonarismo deveria considerar outros nomes para concorrer à Presidência.
“Parem de repetir essa ladainha de que Flávio é o único capaz de derrotar Lula. Está ficando claro que Flávio é, talvez, o único capaz de NÃO derrotar Lula num segundo turno. O PT está adorando isso tudo, e por isso mesmo deve até estar guardando sua munição mais pesada…”, afirmou Constantino.
VÍDEO: Michelle critica Flávio Bolsonaro publicamente
A crise se intensificou nos bastidores do Partido Liberal, revelando fissuras profundas na liderança do bolsonarismo. No dia 24 de outubro, Michelle Bolsonaro, atual presidente nacional do PL Mulher, postou um vídeo contundente nas redes sociais onde atacou o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à presidência da República, acusando-o de desrespeito e humilhação.
O conflito público foi desencadeado por questões relacionadas à estratégia política para as eleições estaduais no Ceará. O desabafo da ex-primeira-dama expôs uma atmosfera de violência política interna e machismo por parte do filho “01” do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Ele retornou a ligação. Mas sinceramente, para dizer o que me disse, teria sido melhor se não tivesse ligado. Foi extremamente ríspido e desrespeitoso ao telefone. E eu não havia feito nada contra ele”, relatou Michelle na gravação.
Em seu relato, Michelle mencionou que o senador tentou impedi-la de participar das decisões macro do partido com ordens diretas e um tom condescendente. “Disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Ele afirmou que eu havia chegado ontem e não entendia nada sobre política. Diante dessa humilhação, respondi que tudo bem”, declarou a ex-primeira-dama, evidenciando o racha familiar e partidário.
A origem da discórdia: O palanque no Ceará
A disputa gira em torno da configuração do palanque do PL no Ceará. Michelle se opôs firmemente à articulação feita por líderes locais do PL — apoiada pelo deputado André Fernandes e aliados próximos a Jair Bolsonaro — visando uma aliança com Ciro Gomes (PSDB) já no primeiro turno da corrida pelo governo estadual.
A ex-primeira-dama defende que a direita deve apoiar a pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo-CE) desde o início. Segundo ela, aliar-se a Ciro Gomes representa uma contradição política grave, lembrando os ataques anteriores desse político contra Jair Bolsonaro e afirmando que Ciro foi responsável pela inelegibilidade do ex-presidente. Na semana passada, Michelle já havia causado polêmica ao dizer que a direita não deveria fazer “aliança com o mal”, demonstrando resistência ao pragmatismo adotado por alguns para enfrentar o PT. Ela acredita que qualquer apoio a Ciro só deveria ser discutido em um eventual segundo turno.
Retaliação coordenada entre os “irmãos”
A resposta da família Bolsonaro à insubordinação de Michelle foi rápida. De acordo com ela, esse contra-ataque revelou uma tática conhecida dentro dos gabinetes políticos. No vídeo, Michelle acusou os filhos do ex-presidente de atuarem em conjunto para tentar desacreditá-la perante sua base.
“Os irmãos se uniram de maneira coordenada, produzindo textos muito semelhantes entre si. Parecia algo combinado e premeditado”, denunciou.
Currículo do PL Mulher como defesa
Ao contestar as alegações feitas por Flávio sobre seu suposto desconhecimento político e sobre ter chegado recentemente ao cenário político, Michelle usou os resultados expressivos obtidos em sua gestão à frente do PL Mulher como defesa e prova de sua liderança. Como presidente nacional do PL Mulher, destacou ter viajado por todo o Brasil, montado diretorias nos 27 estados e no Distrito Federal e contribuído para a eleição de 1.005 mulheres em 2024. Ela lamentou ainda ser vista por ele e alguns aliados como alguém sem experiência política.
Michelle também negou veementemente rumores sobre estar pressionando por candidaturas ou exigindo desculpas públicas. Para ela, o conflito com Flávio surgiu antes mesmo das discussões sobre cargos ou projetos eleitorais e está diretamente relacionado à falta de “respeito e consideração”.
A disputa entre a principal figura feminina do partido e o pré-candidato presidencial ressalta as rivalidades internas e as narrativas conflitantes que moldarão os futuros passos da oposição até as convenções partidárias serem concluídas.
Assista ao vídeo:
https://x.com/ErikakHilton/status/2069900552851390665

