Esta semana, o clã Bolsonaro atingiu um novo patamar de subserviência e desconexão com a realidade brasileira. Em um ofício de 86 páginas encaminhado ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) na quarta-feira (1º), Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, solicitou formalmente que o governo Trump prorrogasse em 180 dias a imposição de novas tarifas de 25% sobre as exportações do Brasil. O verdadeiro motivo por trás deste pedido? Um claro desespero eleitoral.
Flávio, ao se apresentar como pré-candidato à Presidência pelo PL, revelou ao governo norte-americano que as sanções econômicas que ele e seu irmão, Eduardo Bolsonaro, anteriormente apoiaram e celebraram publicamente se tornaram um tiro pela culatra. Com sua popularidade em queda livre e uma significativa perda nas intenções de voto, ele agora clama por uma pausa de seis meses para tentar reverter sua situação nas urnas.
Um cálculo político traiçoeiro
No documento enviado, Flávio argumenta claramente que as tarifas impostas pelo governo Trump não alteraram a postura das autoridades brasileiras; ao contrário, apenas fortaleceram politicamente o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que interpretou as sanções como ataques à soberania nacional.
“Pesquisas de opinião pública mostram que a popularidade do atual governo aumentou exatamente nos períodos em que a pressão tarifária dos EUA foi mais intensa”, admite Flávio na carta a Washington. Ele deixa explícito que sua preocupação maior não é com os impactos bilionários sofridos pelos produtores e trabalhadores brasileiros, mas sim com os danos políticos que essa questão lhe trouxe.
Para Flávio, o tarifaço “recompensaria” o governo atual. Sua proposta de suspensão das tarifas por 180 dias (com possibilidade de prorrogação por mais 90) é uma manobra puramente estética: ele sugere postergar os efeitos negativos da crise econômica até após as eleições presidenciais. Se a oposição vencer, promete negociar; caso contrário, o Brasil arcará com o retorno automático das taxas que ele mesmo pediu e apoiou.
Agradecimento servil ao presidente
A atitude de Flávio ilustra uma trajetória de subserviência política que já ultrapassou todos os limites aceitáveis. Em julho do ano passado, quando a administração Trump impôs uma tarifa severa de 50% sobre produtos brasileiros, seu irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP) usou suas redes sociais para celebrar esse ataque à economia nacional.
“Obrigado, presidente Donald J. Trump. Espero que as autoridades brasileiras agora tratem esses assuntos com seriedade. O Brasil não pode — e não vai — se tornar outra Venezuela, Cuba ou Nicarágua. Deus abençoe os Estados Unidos, Deus abençoe o Brasil”, escreveu Eduardo na ocasião.
A declaração revela um absurdo notável: um parlamentar brasileiro agradecendo a um país estrangeiro por prejudicar o setor exportador nacional, referindo-se ao mandatário americano como “presidente” com a mesma deferência reservada a um chefe de Estado próprio. Lula já classificou os filhos de Jair Bolsonaro como verdadeiros “traidores da pátria”, após formar um grupo com diplomatas e economistas para mitigar os danos em negociações com os EUA.
Sanções direcionadas contra o país
Buscando disfarçar seu oportunismo eleitoral no pedido feito ao USTR, Flávio listou os prejuízos que as tarifas poderiam causar à economia dos Estados Unidos, que mantém superávit comercial com o Brasil. Ele sugeriu ainda que os EUA optassem por sanções financeiras e restrições de visto contra autoridades brasileiras utilizando ferramentas como a Lei Magnitsky, em vez das tarifas generalizadas que afetam toda a população.
Ainda que Flávio mencione questões sobre comércio digital relacionadas ao PIX e “segurança jurídica” em suas 86 páginas dirigidas ao USTR, a essência do documento é uma confissão e um apelo por ajuda. Ao solicitar que Trump altere sua agenda de agressões econômicas para evitar impactos negativos nas eleições da extrema direita, Flávio Bolsonaro coloca em evidência sua insensatez e sua disposição em priorizar interesses partidários e subserviência internacional às custas do povo brasileiro.

