A política brasileira, muitas vezes mais surpreendente que qualquer roteiro de ficção, teve nesta quinta-feira (13) um episódio digno de comédia nas redes sociais. O que deveria ser um processo formal e rotineiro de registro de candidatura presidencial no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rapidamente se transformou no tema mais comentado do dia. A razão para isso? Uma filiação partidária fraudulenta impediu temporariamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de oficializar sua chapa. No entanto, o que realmente divertiu os internautas não foi somente a confusão envolvendo a filiação, mas também o endereço inusitado inserido pelo responsável pela fraude no sistema.
Ao registrar a filiação do filho “01” do ex-presidente ao partido Missão, uma nova legenda formada por membros do Movimento Brasil Livre (MBL), o autor da fraude optou por ser sarcástico. Em vez de um endereço comum no Rio de Janeiro ou em Brasília, foram registrados dados que chamaram a atenção:
Rua dos Bandidos, nº 666 – Bairro Miliciano
A combinação quase poética entre o número relacionado ao “demoníaco” e as referências diretas às narrativas que cercam a família Bolsonaro rapidamente viralizou. Em minutos, o endereço fictício se tornou alvo de piadas no X (anteriormente Twitter), Instagram e em grupos de mensagens. Muitos usuários sugeriram que tal local deveria ser considerado um patrimônio humorístico nacional, enquanto outros se perguntavam se o CEP correspondente não era o mesmo da famosa “República das Rachadinhas”.
Entenda o caso: como a fraude bloqueou o registro no TSE
Além da inevitável onda de humor que tomou conta das redes sociais, a situação gerou um frenesi nos bastidores políticos em Brasília. A equipe jurídica de Flávio Bolsonaro se deparou com o problema ao tentar acessar o sistema eleitoral para formalizar sua candidatura à Presidência. Para surpresa dos advogados, descobriram que o senador estava registrado como desfiliado do PL e já constava na lista do partido Missão, liderado por seu rival político Renan Santos. Dada a legislação eleitoral, que proíbe candidatos de concorrerem por uma legenda sem estarem formalmente afiliados, o registro ficou bloqueado.
Assim que essa situação foi revelada, as trocas de acusações e justificativas começaram a circular pelos corredores da capital:
A defesa de Flávio Bolsonaro: Em um vídeo divulgado nas redes sociais, o senador atribuiu a transferência indevida a uma suposta conspiração do “sistema” para excluí-lo da disputa presidencial. “O sistema fará de tudo para me parar, mas não terá sucesso. Tenho uma má notícia para aqueles que só sabem agir sujo: isso não funcionou e nem funcionará”, afirmou o parlamentar extremista.
A posição do partido Missão: O partido criado pelo MBL emitiu uma nota oficial negando qualquer envolvimento na inclusão de Flávio em seus registros e alegou ter sido alvo de uma fraude. A legenda informou que identificou a filiação irregular no início do mês e tentou cancelá-la, mas sua solicitação foi recusada pelo próprio sistema do TSE. Além disso, segundo o Missão, o gabinete do senador recebeu uma notificação via e-mail sobre a irregularidade no dia 2 de agosto, mas nenhuma ação foi tomada pelos assessores do parlamentar naquele momento.
A explicação do TSE: A teoria inicial sobre um ataque hacker sofisticado durou pouco tempo. Em um esclarecimento oficial, o TSE comunicou que seu sistema de filiação partidária não sofreu invasões externas. A fraude ocorreu devido ao uso indevido da ferramenta interna por alguém com credenciais válidas dentro da legenda. Diante dessa situação, Nunes Marques, presidente do tribunal, determinou a imediata restauração da filiação de Flávio ao PL e encaminhou uma representação à Procuradoria-Geral Eleitoral para investigar os fatos na esfera criminal.
Enquanto as investigações buscam determinar quem teve acesso à senha utilizada para filiar o senador da extrema direita ao partido MBL, mais uma história inacreditável se soma ao anedotário político brasileiro, com direito a um endereço fictício inusitado.
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