Flávio transferiu recursos para ONG fantasma e instituto ligado a miliciano, aponta investigação

Uma investigação sobre os pagamentos vinculados às emendas de Flávio Bolsonaro (PL) revelou que algumas verbas foram direcionadas a fornecedores sob investigação por suspeitas de formação de cartel, a uma entidade considerada “inexistente de fato” pela Receita Federal e a um instituto cuja liberação de recursos foi mediada por um miliciano. A análise foi realizada pelo UOL, que avaliou as contratações realizadas pelos órgãos beneficiados pelas emendas do senador.

No setor de segurança, a empresa Glágio do Brasil recebeu R$ 569 mil, enquanto a Inbra-Tecnologia obteve um repasse de R$ 1,1 milhão proveniente de convênios relacionados às emendas do senador e de outros parlamentares. Esses gastos foram destinados à aquisição de equipamentos de proteção balística para a Polícia Militar do Rio.

Tanto a Glágio quanto uma das empresas do grupo Inbra foram investigadas na Operação Perfídia, realizada em 2023. A Polícia Federal levantou suspeitas sobre práticas como divisão de contratos e conluio nas licitações. Até o momento, tanto as empresas quanto a PM não retornaram ao UOL.

Em Mesquita, cidade governada pelo PL, R$ 666 mil provenientes de uma emenda de Flávio foram transferidos ao Instituto de Medicina e Projeto em agosto de 2025. Em junho deste ano, a Receita Federal classificou essa entidade como “inexistente de fato” e indicou possíveis indícios de fraude fiscal.

O Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ) encontrou indícios de conluio na contratação do instituto, incluindo documentos assinados por uma pessoa falecida desde 2017. Em resposta à situação, a prefeitura anunciou a rescisão dos contratos, impôs uma multa de R$ 3 milhões e estabeleceu uma proibição para novas contratações por um período de dois anos. O UOL não conseguiu localizar o instituto.

Outro repasse relevante foi destinado a um projeto esportivo do Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio no valor de R$ 200 mil. Mensagens divulgadas pelo Estadão revelam que Robson Calixto, conhecido como Peixe e condenado no caso Marielle, conversou com uma assessora de Flávio sobre essa liberação.

A pesquisa também incluiu uma emenda no montante de R$ 4 milhões para um projeto associado ao Vasco da Gama, que está sob análise da Controladoria Geral da União (CGU). Além disso, foram identificados nove pagamentos totalizando R$ 6,61 milhões à Valle Sul para obras no aeroporto de Resende. De acordo com informações da revista piauí, máquinas dessa empresa foram avistadas em uma propriedade pertencente a um amigo do senador.

Ao ser questionado pela reportagem do UOL, Flávio declarou que seu gabinete não realiza escolhas sobre empresas ou fornecedores. Ele enfatizou que as contratações são responsabilidade dos órgãos que recebem os recursos e que quaisquer irregularidades devem ser apuradas pelas autoridades competentes.

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