A popularização dos tutoriais culinários nas plataformas sociais fez ressurgir um costume que parecia esquecido: a utilização de latas antigas, que antes armazenavam doces, biscoitos ou panetones, como utensílios para assar pães e bolos. Entretanto, essa prática, que aparenta ser uma alternativa encantadora e sustentável, oculta riscos significativos. Especialistas em toxicologia e segurança alimentar alertam que expor esses recipientes desgastados a altas temperaturas pode transformar uma simples receita em uma séria ameaça de contaminação química.
O problema central está ligado à composição e ao desgaste dessas embalagens com o tempo. Diferente das formas de bolo projetadas especificamente para o uso culinário — que passam por rigorosos testes de migração térmica — as latas antigas não foram concebidas para serem levadas ao forno novamente. Muitas delas apresentam uma camada interna protetora feita de verniz ou resina que, ao ser exposta ao calor intenso, pode se degradar.
Pesquisas disponíveis no setor de engenharia de alimentos e vigilância sanitária mostram que o aquecimento excessivo de recipientes revestidos com plásticos ou resinas, como o Bisfenol A (BPA) e outros desreguladores endócrinos, aumenta significativamente a liberação dessas substâncias nocivas para os alimentos. Mesmo na ausência de queimaduras visíveis nos alimentos, o calor pode comprometer a barreira protetora, permitindo que toxinas sejam liberadas diretamente na massa do bolo ou do pão.
Riscos associados ao uso contínuo dessas embalagens na culinária
A situação se agrava ainda mais quando se trata de latas realmente antigas, produzidas há muitos anos. Anteriormente, as normas regulatórias referentes aos materiais em contato com alimentos eram muito mais flexíveis ou inexistentes. Essas latas podem conter vestígios de metais pesados extremamente tóxicos, como chumbo e cádmio.
Instituições de saúde pública emitem alertas acerca dos efeitos prejudiciais do acúmulo desses metais pesados no organismo. A exposição prolongada a substâncias como chumbo e cádmio está ligada a danos neurológicos, toxicidade renal, problemas no sistema reprodutivo e aumento do risco de diferentes tipos de câncer. O perigo é silencioso pois esses elementos não afetam o sabor, aroma ou aparência dos alimentos assados, agindo insidiosamente na saúde dos consumidores.
Ainda existe um risco físico relacionado à contaminação: a oxidação. Com o passar do tempo e armazenamento inadequado, o ferro ou aço das latas pode ferrujar. Durante o cozimento, pequenas partículas de ferrugem e fragmentos metálicos podem se soltar e se misturar à receita.
Especialistas em vigilância sanitária e biomédicos recomendam que as latas antigas sejam utilizadas exclusivamente para fins decorativos ou para guardar itens secos que não tenham contato direto com a superfície (como canetas, linhas ou chaves).
Para assar no forno, é aconselhável utilizar apenas utensílios apropriados feitos de alumínio seguro, aço inoxidável, vidro refratário ou silicone específico para uso culinário. Dessa forma, é garantido que o único resultado obtido na cozinha seja o sabor da receita.

