É amplamente reconhecido que a picanha é a estrela do churrasco nos fins de semana, simbolizando uma tradição cultural no Brasil. No entanto, uma nova pesquisa realizada pela AtlasIntel revela que os hábitos alimentares dos brasileiros estão passando por mudanças significativas. O estudo ouviu 1.501 pessoas de diversas regiões do país.
Essa pesquisa fornece um panorama detalhado sobre a forma como as proteínas são consumidas, mostrando que a carne bovina, apesar de ainda ser a preferida entre os brasileiros, está enfrentando a ascensão do frango e dos ovos, além de uma crescente consciência em relação à saúde e sustentabilidade. A frequência com que a carne bovina é consumida varia conforme a classe social e o poder aquisitivo.
Nos últimos anos, devido às flutuações de preços, tanto o frango quanto os ovos se tornaram parte essencial da alimentação diária para muitos entrevistados.
Dentre essas opções, o frango se destacou como a proteína com melhor custo-benefício em 62% dos lares brasileiros. Os ovos, por sua vez, são vistos como as proteínas mais acessíveis e são consumidos com frequência em todas as idades.
Foco na Saúde e Sustentabilidade
Um dos aspectos mais intrigantes dessa pesquisa é a razão por trás das escolhas alimentares atuais. Se antes o preço predominava como fator decisivo, agora questões relacionadas à saúde passaram a ter um papel central. Aproximadamente 35% dos participantes relataram ter diminuído o consumo de carne vermelha no último ano.
As motivações para essa mudança vão desde preocupações com doenças como colesterol alto e problemas cardiovasculares até questões ligadas ao bem-estar animal, especialmente entre os Millennials e a Geração Z. Além disso, a preocupação com o impacto ambiental da pecuária tem influenciado as decisões de compra dos consumidores mais educados.
Crescimento do Mercado “Plant-Based” e Flexitarianismo
A pesquisa também avaliou como as proteínas alternativas estão sendo recebidas no Brasil, onde já existe um número considerável de flexitarianos — indivíduos que optam por reduzir o consumo de carne sem eliminá-la completamente.
“Os dados revelam que os brasileiros não desejam abandonar totalmente a carne, mas sim melhorar sua qualidade e diversificar sua dieta”, destaca o relatório da AtlasIntel.
Produtos como hambúrgueres vegetais e outras opções plant-based já são conhecidos por grande parte da população; no entanto, o custo elevado ainda representa um obstáculo significativo para que esses itens substituam as proteínas animais nas refeições diárias.
A Popularidade das Proteínas Isoladas
O estudo indica que o uso de proteína em pó se tornou comum entre uma parcela considerável da população urbana. O que antes era uma prática restrita aos frequentadores de academias agora está disponível nas prateleiras de supermercados e farmácias, sendo utilizado por diferentes faixas etárias.
A pesquisa mostra que 54,5% dos participantes consomem proteína em pó principalmente para ganhar massa muscular. Porém essa não é a única motivação: 36,8% buscam reposição nutricional e 32% têm como objetivo manter a saúde geral. Por exemplo, muitos brasileiros utilizam esses suplementos para substituir lanches rápidos em suas rotinas aceleradas. O uso entre pessoas mais velhas também aumentou na luta contra a sarcopenia (perda muscular), além de ajudar no controle do peso e na meta diária de ingestão proteica.
No entanto, mesmo com sua popularização crescente, o levantamento enfatiza que o preço ainda é um fator limitante. O Whey Protein é considerado um produto caro, resultando em seu consumo concentrado nas classes A e B.
A pesquisa da AtlasIntel também indica uma mudança nas atitudes em relação à origem das proteínas consumidas. Embora o soro do leite (Whey) ainda seja predominante, há um aumento significativo no interesse por proteínas isoladas vegetais (como ervilha, arroz e soja), especialmente entre aqueles com alergias ou intolerâncias à lactose ou que adotam uma dieta vegana.

