A cajuína artesanal, tradicional do Piauí, foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Contudo, a trajetória de quem ajudou a popularizar e preservar essa tradição muitas vezes é esquecida. Para combater esse esquecimento, a jornalista e pesquisadora Sara Almeida Campos lançou uma campanha de financiamento coletivo intitulada “Cajuína: substantivo feminino” na plataforma Benfeitoria.
O foco desse projeto é financiar a publicação de um livro e um documentário que tragam à tona a história de Maria Portela Veloso, conhecida como Dona Maricas (1894–1975). Residente de Valença do Piauí, na região do Vale do Sambito, no início do século XX, ela foi a responsável pela criação do primeiro rótulo de cajuína no Brasil e por sua comercialização em grandes centros urbanos como São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco.
Uma narrativa esquecida pelo tempo
A pesquisa que fundamentou o projeto surgiu da ligação emocional de Sara Almeida Campos, que possui mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural pela Universidade de Brasília (UnB), com suas origens piauienses. O trabalho envolveu uma investigação documental robusta e teve o suporte do historiador Antônio José Mambenga, reconhecido como Patrimônio Vivo do Piauí.
Além de revisitar o passado, tanto o livro quanto o documentário também abordam a situação atual das mulheres rurais que continuam a tradição da produção artesanal. O relato incluirá trajetórias significativas de produtoras de cajuína em Valença do Piauí, como Regina Lúcia Soares Barbosa (Cajuína São Francisco), Helena Maria Rodrigues de Amorim, Maria José da Silva Freitas (Cajuína Dona Júlia) e Silmara de Souza Bezerra Oliveira (Cajuína Suita).
“Minha intenção é elaborar um mapa das artesãs da cajuína tanto na zona rural quanto na cidade de Valença do Piauí. É fundamental apresentar informações atualizadas sobre essas mulheres e homenageá-las. Reconhecer que a cajuína é um substantivo feminino é valorizar o trabalho que gerações dessas mulheres valencianas realizaram com tanto empenho”, enfatiza a pesquisadora.
Como contribuir com o projeto
A campanha presente na Benfeitoria adota um modelo de metas estendidas e aceita contribuições de indivíduos, empresas e organizações de todo o Brasil. As opções de apoio variam entre R$ 35,00 e R$ 800,00. Os apoiadores receberão recompensas exclusivas, incluindo cópias do livro, ecobags temáticas e menções nos créditos do documentário. As doações podem ser realizadas via Pix ou cartão de crédito diretamente na página oficial da campanha: benfeitoria.com/projeto/cajuinasubstantivofeminino

