A presença de um ciclo de Super El Niño está redefinindo os rumos da indústria cervejeira brasileira. Esse fenômeno climático, que é acompanhado por instituições oficiais e painéis especializados, traz novas diretrizes para a produção, afetando diretamente o consumidor final ao transformar condições meteorológicas em custos e mudanças nos hábitos de consumo.
O processo que culmina na bebida consumida tem início nas plantações, majoritariamente localizadas no Paraná, região Sul do Brasil, que se destaca como principal produtora de cevada no país. Informações do Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral) indicam que a umidade excessiva e a instabilidade decorrentes do avanço do El Niño diminuíram o percentual de lavouras em boas condições logo nas primeiras semanas da colheita.
A magnitude do impacto se amplifica quando se analisa a balança comercial do setor. Estudos realizados por associações da cadeia produtiva de grãos e malte revelam que o Brasil gera cerca de 955 mil toneladas de malte, quantidade que atende aproximadamente metade da demanda interna, que gira em torno de dois milhões de toneladas. Com a redução da qualidade ou perdas na produtividade da safra nacional, a dependência das importações tende a crescer, pressionando os custos das cervejarias.
Efeito no Copo
Na ponta final da cadeia produtiva, as condições climáticas influenciam as vendas. Especialistas e associações do segmento de bebidas observam que períodos de calor intenso podem aumentar a demanda por cerveja em até 5%. Entretanto, o Super El Niño traz consigo ondas de calor extremo que ultrapassam os padrões normais de consumo.
Dados meteorológicos mostram que quando as temperaturas permanecem acima dos 32°C por longos períodos, o comportamento dos consumidores muda. Em níveis excessivamente altos, a dinâmica do varejo é alterada, provocando instabilidades nas vendas, dificultando o escoamento nos pontos de distribuição e desafiando a logística das marcas para garantir o abastecimento.
Diante desse cenário complexo, os preços da cerveja sofrem consequências diretas. A necessidade crescente de importar uma quantidade maior de malte aliada às variações nos custos de produção observadas por órgãos como a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indica um contexto onde a estabilidade dos preços finais depende fortemente da resiliência das cadeias de suprimento e da habilidade das empresas em planejar frente às flutuações climáticas.








