No dia 6 de agosto de 2012, a NASA concretizou um dos pousos mais desafiadores da história da exploração do espaço com o rover Curiosity. A missão, parte do Mars Science Laboratory (MSL), teve início em 26 de novembro de 2011 e percorreu cerca de 560 milhões de quilômetros até Marte.
O Curiosity aterrissou na cratera Gale, que possui um diâmetro aproximado de 154 quilômetros, utilizando uma técnica chamada sky crane, ou “guindaste aéreo”. Dentro dessa cratera, encontra-se o Monte Sharp (Aeolis Mons), uma formação montanhosa que é composta por várias camadas sedimentares, representando bilhões de anos da história climática do planeta vermelho.
Desde sua chegada ao solo marciano, o rover tem encontrado indícios de lagos de água doce e rios primitivos, além de outros ambientes com condições químicas que favorecem a existência de microrganismos.
Com cerca de 3 metros de comprimento e pesando em torno de 900 quilos, o Curiosity tem dimensões semelhantes a um pequeno SUV. Equipado com um braço robótico de 2,2 metros, ele coleta amostras das rochas em Marte e atua como um laboratório móvel equipado com dez instrumentos científicos que realizam análises químicas, mineralógicas e atmosféricas.
A bordo do rover estão 17 câmeras utilizadas para registro e navegação. Além disso, ele possui um laser que vaporiza pequenas áreas das rochas para identificar sua composição química (ChemCam), o laboratório CheMin que analisa a mineralogia das amostras coletadas e o SAM (Sample Analysis at Mars), responsável pela detecção de moléculas orgânicas e análise de gases atmosféricos.
Inicialmente projetado para uma missão com duração prevista de dois anos, o Curiosity continua em funcionamento passados 14 anos desde seu pouso em Marte.
Autorretrato do rover Curiosity. Créditos: NASA
Até o ano de 2024, o rover havia realizado 42 perfurações em diversas formações rochosas na cratera Gale. Essas perfurações geraram amostras pulverizadas que foram enviadas para análise nos laboratórios internos do veículo. Cada furo possui um diâmetro aproximado de 16 milímetros e representa diferentes períodos na evolução geológica do planeta vermelho.
Através dessas perfurações, foram identificados minerais hidratados e compostos como enxofre, carbono e fósforo. Além disso, as análises revelaram diferentes ambientes sedimentares que contribuem para a compreensão da evolução climática marciana.
Nos anos subsequentes à sua chegada, o Curiosity continuou suas investigações em áreas cada vez mais elevadas do Monte Sharp, explorando formações conhecidas como “boxwork”, estruturas geológicas que podem armazenar informações sobre antigos fluxos subterrâneos de água.
Dentre os achados científicos mais significativos está a detecção de moléculas orgânicas preservadas em rochas antigas; embora isso ainda não prove a existência de vida passada no planeta, esses compostos são essenciais para a química da vida tal como conhecemos na Terra.
Outra descoberta relevante foi a constatação de variações sazonais nas concentrações de metano na atmosfera marciana – um gás que pode se origens tanto geológicas quanto possivelmente biológicas.
No mês de dezembro de 2025, o Curiosity utilizou pela primeira vez em muitos anos os LEDs da câmera MAHLI montada em seu braço robótico para iluminar uma rocha durante a noite marciana. Essa operação resultou em uma rara imagem noturna da superfície marciana e possibilitou registrar detalhes que não seriam visíveis apenas com luz solar.
Os dados coletados pelo rover continuam a influenciar novas missões espaciais. O Perseverance, lançado em julho de 2020 e baseado na arquitetura e tecnologias desenvolvidas para o Curiosity, é uma das iniciativas seguindo essa linha. Além disso, as informações produzidas pelo Curiosity ajudam no planejamento das futuras expedições tripuladas que a NASA planeja realizar nas próximas décadas.

