A ex-ministra da Secretaria de Relações Institucionais e pré-candidata ao Senado pelo Paraná, Gleisi Hoffmann (PT), revelou os reais objetivos de Eduardo e Flávio Bolsonaro ao tentarem fazer lobby nos Estados Unidos, o que resultou em críticas ao sistema de pagamentos Pix e a possibilidade de um novo aumento nas tarifas.
Segundo Gleisi, Flávio Bolsonaro distorce a verdade ao afirmar que o Pix foi criado por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro:
“Enquanto Flávio tenta convencer a todos que o Pix é uma invenção do seu pai, Eduardo busca substituir nosso sistema pelo Zelle americano, como parte de um acordo para eliminar tarifas que eles ajudaram a articular. A desonestidade, a falta de caráter e a traição são características desse grupo desprezível, como bem definiu o presidente Lula.”
A seguir, Gleisi critica a proposta dos irmãos Bolsonaro de abandonar o Pix em favor do sistema norte-americano:
“O Pix é uma infraestrutura pública brasileira, desenvolvida e regulada pelo Banco Central. Nunca pertenceu a Bolsonaro, que sequer tinha conhecimento sobre o assunto quando questionado. O Zelle é um serviço privado operado por bancos americanos que impõe taxas aos usuários.”
Além disso, a ex-ministra considera a postura entreguista dos Bolsonaros “repugnante”:
“É vergonhoso ver os Bolsonaros se prontificando a atender os interesses dos Estados Unidos. No dia 16, ocorrerá o primeiro julgamento de Eduardo Bolsonaro. Esperamos que os outros processos contra eles sejam acelerados. Eles precisam ser detidos e punidos para o bem do Brasil e do povo brasileiro.”
Eduardo Bolsonaro sugere substituição do Pix pelo Zelle
No programa TMC, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) defendeu que o governo Lula abandone o Pix em favor do sistema Zelle dos EUA, que funciona de forma semelhante.
ENTENDA:
Funcionamento do Zelle: O sistema que Eduardo propõe como alternativa ao Pix no Brasil
Para Eduardo Bolsonaro, trocar o Pix pelo Zelle seria uma demonstração de boa vontade nas negociações com o governo Trump, que ameaça impor tarifas de 25% ao Brasil.
“Os EUA possuem mecanismos semelhantes ao Pix, como o Zelle, que é considerado o equivalente americano. Portanto, é viável chegar a uma mesa de negociação com os americanos”, afirmou Eduardo Bolsonaro.
Zelle: como opera este sistema norte-americano
O Zelle é um sistema de pagamentos instantâneos norte-americano que voltou à tona nas discussões políticas no Brasil após Eduardo Bolsonaro sugerir sua adoção em vez do Pix. Embora seja frequentemente comparado ao nosso sistema por permitir transferências rápidas entre contas, suas operações são distintas e possuem um alcance limitado.
No território americano, o Zelle é utilizado principalmente para transferências entre indivíduos. O serviço está geralmente integrado aos aplicativos bancários das instituições participantes, como Bank of America e JPMorgan Chase. Para realizar um envio de dinheiro, basta informar o e-mail ou telefone do destinatário; se ele já estiver cadastrado na plataforma, a transferência costuma ser concluída em poucos minutos.
A grande diferença entre os dois sistemas reside na sua natureza: enquanto o Zelle não é operado pelo banco central dos EUA e funciona como uma rede privada gerida pela Early Warning Services — associada a grandes bancos —, o Pix é uma infraestrutura pública brasileira sob supervisão do Banco Central.
Outra divergência significativa diz respeito à abrangência dos sistemas. O Pix atende não apenas pessoas físicas mas também empresas e órgãos governamentais, possibilitando pagamentos via chave Pix ou QR Code e integrações diversas com instituições financeiras. O Zelle foca mais em transferências entre usuários com contas em bancos participantes da rede nos EUA.
Cabe destacar ainda questões referentes à segurança e às operações realizadas: as transferências através do Zelle são rápidas e difíceis de cancelar após autorizadas; por isso, recomenda-se que os usuários enviem dinheiro apenas para pessoas conhecidas.
No fundo, embora ambos possibilitem transferências rápidas, suas estruturas e finalidades são bastante diferentes. Enquanto o Pix se estabeleceu como uma infraestrutura nacional robusta para pagamentos no Brasil, o Zelle funciona como uma rede bancária privada voltada principalmente para transações pessoais nos Estados Unidos.
Lula critica Marco Rubio e reafirma postura firme diante de Trump
Numa reunião ministerial realizada na quarta-feira (3), Luiz Inácio Lula da Silva reiterou a determinação do Brasil frente à nova ofensiva comercial estadunidense, além de criticar severamente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e seus aliados por provocarem conflitos internacionais em prol de interesses eleitorais.
Lula enfatizou que a proposta americana de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros foi recebida com surpresa pelo governo brasileiro e chamou a participação de brasileiros na articulação dessa medida de “traição à pátria”, referindo-se indiretamente a Flávio Bolsonaro como “imbecil”.
“É lamentável ver brasileiros fomentando essa disputa acreditando que isso prejudicará uma candidatura presidencial; porém quem realmente será afetado é o povo brasileiro, não eu”, declarou Lula.
“É crucial entender que estamos num momento decisivo para fortalecer nossa democracia e garantir um espaço respeitável no cenário global. Não podemos ser tratados como uma republiqueta insignificante”, acrescentou Lula.
Criticas diretas a Marco Rubio e defesa da soberania nacional
No decorrer da sua fala, o presidente dirigiu críticas ao secretário de Estado dos EUA,Marco Rubio, rotulando-o como um “latino-americano frustrado”. Ele também contestou afirmativas sobre os EUA estarem aproximando países da América Latina sob sua influência, exceto Brasil, Nicarágua, Cuba e Colômbia.
“Rubio ignora que nosso país já sofreu um golpe em 1964 articulado por diplomatas americanos. Eles precisam entender nossa história enquanto buscamos relações institucionais com os EUA”, disse Lula.
Lula destacou ainda que tentou estabelecer diálogo formal com os EUA antes das medidas serem anunciadas: “Ninguém pode afirmar que nós rejeitamos negociar com eles. Soube da taxação pela primeira vez através do Twitter do presidente Trump”, relatou.
No contexto internacional atual, ele defendeu uma abordagem multilateral: “Não fizemos bravatas ou discursos vazios; buscamos construir narrativas para dialogar não apenas com os Estados Unidos mas também com outras nações sobre as injustiças relacionadas às punições impostas ao Brasil”.
Lula reafirmou sua decisão firme de não ceder:
“Decidimos não adotar mais uma postura subserviente diante das potências mundiais. Não temos nada a temer; somos um país democrático e soberano. Não recuaremos!”
A ofensiva comercial americana ligada à visita bolsonarista à Casa Branca
A ofensiva comercial promovida pelos EUA está diretamente relacionada à visita realizada por Flávio Bolsonaro à Casa Branca no dia 26 de maio deste ano. Nessa ocasião ele se reuniu com Donald Trump e outros membros relevantes da política americana. As reuniões culminaram na divulgação iminente das tarifas comerciais dias depois, levando críticas do Planalto aos Bolsonaros por usarem questões externas para atender interesses eleitorais pessoais em detrimento da economia nacional.
Lula enfatizou que seu governo manterá uma posição independente buscando novas parcerias: “Não vamos ficar lamentando as circunstâncias atuais. Se alguém não quer comprar nossos produtos, buscaremos outros compradores”.
Sendo claro quanto aos seus objetivos pacíficos na política externa afirmou: “Não desejo conflito com nenhum país — seja ele Estados Unidos ou China — queremos promover paz através do fortalecimento da democracia e das relações multilaterais”.
A administração Lula também ressaltou que o Pix representa um símbolo da soberania digital brasileira inegociável sob qualquer circunstância. Além disso reforçou seu compromisso em diversificar as parcerias comerciais mantendo sempre uma política externa centrada no multilateralismo.
Com uma retórica contundente voltada tanto para fora quanto para dentro do país, Lula busca transformar essa pressão externa em capital político local fortalecendo sua liderança regional enquanto protege os interesses nacionais frente às interferências dos aliados bolsonaristas bem como à retórica protecionista vinda dos Estados Unidos.

