A descoberta dos direitos próprios pode ser um processo enriquecedor, além de uma simples consulta. Com esse conceito, a assistente virtual Ju do Bolsa, que esclarece dúvidas sobre programas sociais, lançou nesta terça-feira (29) a “Calculadora de Benefícios”, um jogo interativo gratuito que pode ser acessado neste site.
A jornada começa com um questionário breve. Com base nas respostas fornecidas, o usuário é direcionado a um mapa virtual em 2D, onde poderá explorar diferentes pontos de interesse que oferecem informações visuais e acessíveis sobre os diversos programas sociais e os critérios necessários para se qualificar a eles.
Essa inovação foi criada em resposta a um desafio identificado pela equipe entre as mais de 300 mil seguidoras da página Ju do Bolsa. Embora o serviço de chat no Instagram atenda aos beneficiários, muitos não completavam as interações ou retornavam para usar a ferramenta. A ideia é proporcionar uma experiência acessível que combata a desinformação e fortaleça os direitos por meio da curiosidade e da autonomia dos usuários, incentivando o feedback contínuo para motivá-los a descobrir o que a lei assegura, sempre mantendo a credibilidade da iniciativa.
“Compreendemos que o direito desconhecido é um direito inacessível. Nosso objetivo é fazer com que as famílias possam explorar essa descoberta e voltem sempre que tiverem dúvidas, sabendo que encontrarão informações confiáveis”, <span diz Paola Carvalho, coordenadora técnica e de relações institucionais do projeto Ju do Bolsa.
O impacto dessa iniciativa se torna evidente ao observar o público-alvo. Em setembro, 19,29 milhões de famílias estavam sendo beneficiadas pelo Bolsa Família, com um valor médio de R$ 678,18. O benefício mínimo atual de R$ 600 passará por um reajuste em outubro. Essas mudanças exigem atenção constante das famílias. Desde junho do ano passado, o período de permanência na regra de proteção foi reduzido de dois para um ano. Além disso, o valor final recebido por cada família depende de adicionais como R$ 150 para cada criança até 6 anos e R$ 50 para gestantes e adolescentes entre 7 e 18 anos incompletos.
A portaria de entrada é ampla: em 2026, poderão se registrar no CadÚnico famílias cuja renda seja de até meio salário-mínimo por pessoa (equivalente a R$ 810,50) ou com renda total máxima de três salários-mínimos (cerca de R$ 4.863). Manter o cadastro atualizado também se tornou essencial para garantir certos benefícios.
Diante dessas complexidades, cresce o risco de desinformação, cenário que deu origem à Ju do Bolsa. O projeto surgiu da constatação de que as informações disponíveis online sobre benefícios sociais são fragmentadas e geralmente imprecisas nas redes sociais, onde muitas vezes são apresentadas como “favores”, ao invés de direitos. O jogo visa simplificar essa busca por informação em uma experiência intuitiva e direta. “Desenvolvemos o mapa para permitir que cada pessoa trilhe seu próprio caminho. Não há maneira certa de iniciar; é a curiosidade que direciona ao próximo programa”, <span conta Paola.
A identidade visual do jogo reflete essa abordagem acolhedora, utilizando uma linguagem amigável e fácil de compreender. A informação sobre direitos deve ser acessível a todos, independentemente do nível de conhecimento tecnológico.
O jogo expande um trabalho já existente. A Ju do Bolsa atua como uma influenciadora digital virtual em defesa das políticas sociais e visa ampliar o acesso à informação sobre programas como o Bolsa Família. Desenvolvido por assistentes sociais, pesquisadores e comunicadores com apoio da Quid – laboratório dedicado à comunicação e mobilização social – o projeto oferece atendimento via WhatsApp, Instagram e Facebook, encaminhando casos complexos para atendimento humano quando necessário.
Em menos de trinta dias após seu lançamento inicial, a iniciativa já havia auxiliado cerca de 30 mil pessoas e agora aposta no jogo como forma de estabelecer uma relação mais duradoura com as informações disponíveis. A experiência é gratuita e está disponível desde o dia 29 no site da Ju do Bolsa.

