A filósofa e escritora Marcia Tiburi expressou sua indignação em relação ao ex-deputado Arthur do Val (Missão) durante sua participação no Fórum Onze e Meia na quinta-feira (27). O ex-parlamentar fez uma piada sobre a avó ucraniana da candidata a deputada federal por São Paulo e coordenadora do MTST, Natália Boulos.
Ao ouvir Natália mencionar suas raízes familiares, Arthur, também chamado de “Mamãe Falei”, fez um comentário desdenhoso: “apresenta pra nós”. Essa fala remete a um episódio de 2022 em que ele foi alvo de críticas após vazar áudios com comentários de conteúdo sexual sobre mulheres ucranianas, o que culminou em sua cassação na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
Marcia analisou a situação, afirmando que Arthur estava tentando criar uma cena para desestabilizar Natália. “Esse indivíduo é totalmente insensato. Ele buscava imitar a Natália como forma de desestabilizá-la. O que ele fez foi uma espécie de gaslighting performático. Ela tem motivos para processá-lo pela violência psicológica que ele exercitou naquele momento”, comentou.
Continuando sua crítica, Marcia disse: “Quando ele disse ‘apresenta pra gente’, enquanto ela falava da avó, existem duas possibilidades: ou ele não prestou atenção no que ela dizia porque a avó dela não se encaixava no perfil que ele gostaria de conhecer – já que não era uma jovem loira ucraniana – ou ele estava apenas tentando executar essa performance, sem considerar o que ela dissesse, visando realizar um gaslighting para abalar sua confiança. Natália foi extremamente corajosa ao confrontá-lo”, destacou.
A filósofa ainda acrescentou: “Não é aceitável dar espaço para alguém tão insensato como esse Mamãe Falei. Ele é uma pessoa realmente muito ruim e consegue ser ainda pior que Kim Kataguiri”.
Perseguição e ataques
Marcia relatou que tem sido alvo constante de ataques por parte de membros do MBL. “Kim Kataguiri faz parte da história das perseguições que enfrentei desde o início de 2018. Um jornalista do Sul, Juremir Machado, insistiu por mais de um mês para eu participar de uma entrevista, algo que eu fazia frequentemente sobre meus livros”, lembrou.
Ela explicou que entendeu o motivo da insistência ao chegar ao programa. “Fui pega de surpresa quando vi o MBL presente, sempre filmando as reações das pessoas como parte da sua tática. Eles utilizam essa estratégia para roubar a imagem das pessoas e criar todo um espetáculo nas redes sociais”, contou.
Marcia reconheceu Kataguiri durante o episódio e percebeu a armadilha montada. “Depois de expor algumas verdades ao Juremir, ele me ligou pedindo desculpas. Respondi: ‘Você está me rebaixando e rebaixando seu programa ao se associar a esse tipo de grupo neofascista’”, revelou.
A filósofa também recordou os ataques subsequentes: “Eles lançaram um cartaz com meu rosto escrito ‘Procura-se’ no site do MBL e iniciaram uma campanha agressiva contra mim. Recebi ameaças de morte e enfrentei intensa perseguição; pessoas eram agredidas durante meus lançamentos literários e muitos eventos foram cancelados em 2018.”
Diante dessa situação, Marcia acabou deixando o Brasil. “Tive que me esconder, pois temia por minha segurança. No final de 2018, fui para os Estados Unidos em uma instituição voltada à proteção de escritores perseguidos globalmente. Além disso, fui processada pelo MBL por dar entrevistas a veículos alinhados à esquerda, incluindo a Fórum”, afirmou.
Candidatura de Renan Santos
A respeito do candidato à presidência e membro do MBL, Renan Santos, Marcia Tiburi declarou: “Considero-o muito perigoso, assim como o partido Missão. Eles são organizados e não têm escrúpulos. Renan Santos mira alto; ao invés de concorrer a cargos menores como deputado ou vereador, almeja diretamente a presidência da República e possui habilidades organizacionais notáveis. Ele é um fascista”, definiu.
Candidatura de Flávio Bolsonaro
Analisando a candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Marcia comentou: “Sempre pensei que Flávio Bolsonaro não teria sucesso significativo na política e continuo acreditando que pode haver obstáculos à sua trajetória eleitoral. Para se manter relevante como candidato, ele precisa manobrar muito politicamente.”
“Flávio ocupa uma posição complicada; deve equilibrar-se entre parecer aceitável enquanto mantém seu vínculo com o legado Bolsonaro. Contudo, essa equação é impossível porque não existe um Bolsonaro aceitável. Os apoiadores esperam um Bolsonaro agressivo dele, mas Flávio não consegue reproduzir essa agressividade tão característica do pai”, concluiu.
Acompanhe a entrevista completa com Marcia Tiburi

